VideoGamer Portugal por - May 8, 2022

O que andamos a ver, 8 de maio, 2022

Está um dia que promete ser primaveril, mas é um domingo que pode ser também marcado por uns minutos ou umas horas em frente a um retângulo mágico enquanto o entretenimento é consumido como uma suave brisa. O que andamos a ver tem um trio de menções para a vossa consideração.

Pedro Martins dedicou quase três horas do seu tempo a The Batman, o mais recente capítulo do morcego da DC Comics protagonizado por Robert Pattinson e realizado por Matt Reeves. Denso e sombrio, merece a vossa atenção, segundo o diretor de conteúdos do VideoGamer Portugal.

Continuando a percorrer o caminho de Charlot, o Marco Gomes versa este domingo sobre mais um capítulo da coleção dedicada ao “génio da comédia”. Hoje as palavras são sobre o sétimo DVD que nos permite conversar sobre Um Tributo (2002).

A fechar O que andamos a ver de hoje encontramos as palavras de Filipe Urriça sobre Piper. O redator tem passado em revistas as curtas do catálogo Disney+, um exercício que todos os que têm uma subscrição ativa devem fazer. Há uma magia própria em mover o espectador em apenas alguns minutos.

Pedro Martins, The Batman (HBO Max)

É muito fácil ter uma era de Batman preferida, com muitos fãs a jurarem alianças que provavelmente vão durar uma vida. Tive oportunidade de ver o novo filme protagonizado pelo morcego de Gotham realizado por Matt Reeves. São quase três horas melhores do que estava à espera.

Aqui encontramos Robert Pattinson como Batman, Zoë Kravitz como Selina e um irreconhecível Colin Farrell como Penguin. Reeves teve ainda oportunidade de dar destaque a uma versão de Alfred personificada por Andy Serkis e a um Riddler construído por um Paul Dano em boa forma.

Claro que Gotham é permeada pelo crime e pela corrupção, uma teia que paira no ar e que é tão natural para esta metrópole como haver uma força interessada em salvá-la. Mais interessante são os dilemas de Batman que não está aqui como o herói absoluto, mas sim como alguém que não escapa a algumas incertezas sobre o que é e sobre o que deve fazer.

Foi confirmado recentemente que teríamos direito a uma sequela e, depois de ver este final, é bom que assim seja. Na semana passada escrevi sobre Nolan e o seu Tenet. O realizador fez muito por este mundo da DC com sua trilogia “Dark Knight”, mas julgo ser injusto comparar o arranque de Reeves com o trabalho de Nolan.

Tal exercício, se o que quiserem realizar, deverá acontecer quando os dois turnos estiverem concluídos. Com a personagem que é indiciada para o novo filme, será curioso perceber onde é que estava nova vida de Batman levará o espectador. Pattinson estará de regresso e parece-me merecido, ainda há muita escuridão para ser desvelada.

Se não tiveram oportunidade de o ver nos cinemas, está agora disponível no catálogo da HBO Max. Vale a pena pois faz o suficiente pela novidade enquanto não se esquece das pedras basilares.

Marco Gomes, Colecção Charlot – O Génio da Comédia, 7 (DVD)

A intenção é límpida, compor o ramalhete. Na prática, outra estocada na relevância da Coleção Charlot – O Génio da Comédia pela Carisma Entertainment Group. O DVD sétimo tranca a caixa com Um Tributo (2002), My Tribute, da autoria de Eugene e Kiera Chaplin, respectivamente filho e neta do tributado. Iniciativa de amadorismo quase pueril, devendo ser barrada sua difusão pública como aparentemente barrado lhes ficou o talento na transmissão genética.

O prejuízo é todo da edição, não beliscando sequer a memória do familiar. Com tanto lhe dedicado em grau variável de qualidade no período temporal superior a um século contando da primeira aparição na tela, 2 Fevereiro de 1914, pese o conteúdo inédito ou de rara divulgação Um Tributo melhor intitulado seria de Só Mais Um Tributo.

Até porque, Charlot enquanto ícone do cinema foi no espaço temporal das obras contidas neste pacote -com exceção lógica da hoje destacada- bem mais que isso. Em 1915 chegado virtualmente aos mais recônditos pedaços de civilização fez-se veículo promocional por excelência do celulóide, a patamar de reconhecimento que levou o próprio Charles Chaplin gracejar ser a personagem idolatrada em latitudes alheias ao nome Jesus Cristo.

Porque a genialidade também o é na impossibilidade de ser dissecada, fica o assombro quanto à ação de agente disruptivo de Chaplin no próprio estilo de humor que o consagrara, Slapstick. Como muitos companheiros de estrada com sólida formação de palco no Music Hall tinha tudo para se manter aquele arreigado. A crescente independência na produção a cada novo contrato assinado, ao invés, entregou ao desenvolvimento narrativo o poder sonegado aos malabarismos. Acendera o rastilho para o maior avanço do género comédia em toda a história do meio, a dependência da lágrima no ímpeto da gargalhada.

Filipe Urriça, Piper (Disney+)

Umas das melhores produtoras de curtas-metragens de animação é, sem sombra de dúvidas, a Pixar. A coleção Sparkshorts fala por si só, mas há outras curtas muito boas que não estão associadas a esta coleção e Piper é uma delas. Uma curta-metragem de 2016 realizada por Alan Barillaro e produzida por John Lasseter.

Um dos temas recorrentes das curtas da Disney, nomeadamente na Pixar, é a parentalidade, mas Piper vai um pouco além desta temática. Uma ave costeira está numa fase importante do seu crescimento: vai começar a tornar-se independente na obtenção do seu alimento. Porém, a pequena ave, apesar de ser incentivada pelo seu progenitor, demonstra um certo receio, porque o seu alimento tem que ser obtido na areia da praia, perto da água do mar.

A pequena ave marítima não tem outro remédio a não ser lutar contra os seus medos, caso contrário passa fome. Numa tentativa de ultrapassar esses medos, a pequena ave arranja uma solução fora do normal e fica tão feliz pelo resultado do seu método de arranjar comida que naquela zona da praia nenhum pássaro passou fome.

Crescer é difícil e, por vezes, doloroso, nas no fundo é um processo necessário para sermos mais fortes. Piper é uma excelente alegoria do crescimento, uma vez que esta curta a faz com humor e uma muito boa animação.

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