Uma vez que a chuva e as baixas temperaturas parecem ter sido relembradas que estamos, afinal, em fevereiro, a equipa VideoGamer Portugal reuniu-se para escrever sobre aquilo que tem andado a ver nos últimos dias. Se estão a pensar ficar em casa para um domingo relaxado, têm aqui três propostas para terem em consideração.

O Pedro Martins aproveitou a estreia na HBO Portugal de McMillions para relembrar uma época em que a gigante da comida rápida tinha uma promoção alusiva ao Monopólio. É um documentário sobre a investigação do FBI à manipulação dos vencedores que aconteceu nos Estados Unidos da América.

Posteriormente podem ler o texto de Marco Gomes, que esta semana escreve sobre Félicité, obra assinada por Alain Gomis que versa sobre o impacto que um acidente pode ter. Finalmente, o Filipe Urriça resolveu ver e escrever sobre Arranha-Céus, película liderada por Dwayne Johnson que passou recentemente pelos canais TVCine.

Pedro Martins, McMillions (HBO Portugal)

Esta semana voltei a dedicar algum do meu tempo a ver um documentário, graças à estreia na HBO Portugal de McMillions. Ainda só está disponível o primeiro episódio, contudo, esta amostra faz o suficiente para conquistar o meu interesse sobre o resto da investigação que envolve o FBI e a McDonald’s.

E que investigação é essa? Os leitores mais velhos certamente ainda estarão recordados de uma iniciativa que a gigante da comida rápida executava e que envolvia o Monopólio. Sim, aquele momento em que descolávamos partes dos copos e dos pacotes de batatas fritas à procura de encontrar um conjunto de peças que nos transformava em vencedores de diferentes prémios.

McMillions é um documentário sobre essa iniciativa, ou melhor, sobre a investigação que os vencedores podiam não ser legítimos depois de o FBI receber um dica sobre o misterioso parentesco. Durante o episódio de estreia temos direito a perceber como é que o FBI começa essa investigação enquanto tenta encontrar as ligações que levam a um nome repetido diversas vezes.

De destacar também um agente, Doug Matthews. Não só a sua personalidade domina as cenas em que tem uma càmara à sua frente - numa reunião, Matthews julga que é uma excelente ideia vestir um fato dourado - como os seus processos de trabalho quando finalmente consegue ser um agente infiltrado deixam o espectador colado ao ecrã.

Não sei se esta matéria é suficiente para alimentar as seis partes que compõem McMillions, mas na sua estreia fica a vontade de querer saber mais sobre os métodos usados para manipular um concurso que, convém recordar, era extremamente popular quando estava em vigor. Pelo menos faz o suficiente para querer ver o segundo episódio quando a sua estreia acontecer na próxima terça-feira, dia 11 de fevereiro.

Marco Gomes, Félicité (DVD)

Por nefasto ajuntamento de fatores cujo escalpelizar jamais caberia nas singelas linhas deste espaço sofre a indústria cinematográfica, expressão já de si pomposa, da grande generalidade das nações africanas de défice de oportunidade e democratização.

Até porque, provavelmente no medrar de entraves logístico-financeiros, não se conseguiu criar, ou nisso faltou interesse, um ecossistema semelhante ao do meio musical onde não só os nome do firmamento são editados e agenciados por chancelas internacionais ao continente, europeias e americanas, como nelas existe interesse em alargar catálogo a artistas reconhecidos localmente com potencial de transbordar território.

Seja como for, a produção autóctone por frouxa que seja vive muito do capital e realizadores estrangeiros, ou com vínculos ao exterior ou do exterior aquela, como é o caso do franco-senegalês Alain Gomis que para sua mais recente e celebrada película, Félicité (2017), prémio do júri no Festival Internacional de Cinema de Berlim nesse ano, escolheu como cenário a capital da República Democrática do Congo, Kinshasa, num investimento partilhado por fundos da França, Bélgica, Alemanha, Líbano e Senegal.

O inevitável choque de realidades poderia acalentar o triunfo de Gomis domesticando em ideia e técnica a visão sobre a complexidade sócio-cultural da África subsariana, sem se descartar do misticismo secular lhe impregnado. Paradoxalmente a traição maior a um exercício plenamente sucedido vem do predicado que o autor, por certo, considera mais valioso, o carácter artístico, impresso aqui desregradamente, em quantidade e grau, deixando no espectador uma sensação ambivalente, por vezes elogiosa, nunca impressiva.

Filipe Urriça, Arranha-Céus (TVCine Top)

Dwayne Johnson, o famoso lutador (ou ator) da WWE, não tem grandes filmes no seu currículo. Contudo, ainda a continua a participar em grandes blockbusters, nomeadamente o da série Velocidade Furiosa. Em Arranha-Céus, The Rock não tem uma interpretação brilhante, mas continua a dar aos seus músculos o papel principal nas suas atuações, mesmo quando lhe é dado uma personagem com uma incapacidade motora.

Em termos narrativos, Arranha-Céus não impressiona minimamente. Pelo contrário, até nos questionamos como é que Rawson Marshall Thurber, realizador de filmes como Central de Inteligência e Trip de Família, deixou buracos tão grandes ao longo de todo o argumento. Aparentemente, um grupo terrorista quer apoderar-se de um objeto que pertence ao dono de um enorme arranha-céus na China. Para recuperá-lo têm a brilhante ideia de incendiar o edifício.

Felizmente, quem salvará a terrível noite será Will Sawyer, a personagem de Dwayne Johnson, que tem uma prótese para apoiar a sua perna amputada. Esta incapacidade só serve para mostrar ao espectador que Will não é um homem com força bruta, tem uma fragilidade física e emocional. Porém, as suas atitudes e ações no filme todo não demonstram uma ponta de fragilidade.

O filme tem ação em grandes doses, que começa logo pelo tamanho do prédio, helicópteros que explodem com enorme violência e saltos de alturas impossíveis de executar numa situação normal. Enfim, é um excelente filme para quem gosta de desligar o cérebro e passar para um outro filme depois deste acabar. Assim, não temos tempo para pensar nas situações irrisórias que aconteceram em Arranha-Céus.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!