A Evolution Studios pode ter sentenciado o seu destino como parte da Sony Worldwide Studios com o lançamento extremamente atribulado de DriveClub, mas o núcleo duro do estúdio que saltou para a ribalta com as obras da série Motorstorm - o jogo original foi um dos maiores exemplos do impressionante salto visual, à altura, da PlayStation 3 - continua bem vivo no seio da Codemasters. Com aquele que deveria ter sido um título de lançamento da PlayStation - mas que chegou um ano mais tarde -, a produtora fugiu um pouco do seu registo e acabou por ser penalizada por isso.

Ausente da atual geração de consolas, existe um vazio bastante óbvio do estilo de corridas arcada caótico muito característico de Motorstorm. Onrush, o primeiro título dos produtores da série após a separação com a gigante nipónica, pretende precisamente ocupar esse espaço abandonado pela Sony e tudo aquilo que nos tem sido mostrado da obra tem evidenciado isso, isto é, que estamos perante uma espécie de sucessor espiritual dos aclamados títulos da defunta Evolution.

Tal como tantos outros jogadores durante este último fim de semana, o VideoGamer Portugal teve oportunidade de experimentar a obra através da sua prometida beta pública. Tendo participado em várias corridas online, posso afirmar que Onrush tem muito de Motorstorm no seu ADN, mas está longe de ser um clone do mesmo. Na verdade, Onrush tem um conceito bastante distinto dos tradicionais títulos de corridas, o que tem tanto de bom, como de algo desapontante.

Acima de tudo, Onrush pode ter o coração e espírito de Motorstorm, mas não é de facto um título Motorstorm. Por isso mesmo, as comparações com a série da Sony serão sempre algo injustas para uma obra que tenta oferecer uma experiência bastante diferente daquela que encontrarão num tradicional jogo de condução e corridas. Onrush é uma obra original e deve ser encarada como tal. Se esperam encontrar aqui um Motorstorm apenas sob um nome diferente poderão facilmente sair desapontados.

Como escrevi no título deste texto e tal como o jogo faz questão de nos informar no seu tutorial introdutório, vencer corridas em Onrush não passa por ser o primeiro a cortar a meta. Aliás, não existe sequer qualquer meta para ser cortada. Não, Onrush foca-se no elemento mais caótico das corridas, ou seja, na destruição veicular e na velocidade alucinante por percursos com poucas condições para a prática de uma condução segura e responsável.

A forma mais fácil de explicar como funciona Onrush é pegar nos dois tipos de corridas disponíveis na beta: Overdrive e Countdown. Em qualquer um deles, os jogadores são divididos em duas equipas de seis elementos, sendo que Overdrive premeia a equipa pelo tempo em que conduzirem com o turbo ativado ou com o modo Rush, obtido após terem atingido determinada quantidade de utilização do turbo. Por sua vez, o turbo é obtido através dos saltos que realizarem ao longo dos percursos e dos veículos que destruírem pelo caminho.

Já o modo Countdown coloca os elementos de cada equipa numa batalha para impedir o seu contador de tempo de chegar ao zero através da passagem por entre portais presentes nos percursos. Apesar de ser um jogo de equipa, Onrush é quase sempre uma experiência solitária, isto é, apesar de contribuirmos para o resultado da nossa equipa, não existe um trabalho de equipa propriamente dito, pelo menos nestes dois modos testados. Cada jogador dá o seu contributo através da sua performance individual, sendo que os destaques dados a diferentes feitos durante as corridas no final de cada partida evidenciam isso mesmo.

A obra da Codemasters apresenta, no total, 8 classes de veículos, sendo que quatro delas estiveram disponíveis nesta fase de testes. Indo desde os ágeis, mas frágeis, motociclos até aos mais imponentes veículos de quatro rodas, cada classe tem, obviamente, as suas vantagens e desvantagens, uma vez que umas favorecem a destruição de oponentes, enquanto outras privilegiam a velocidade e os voos aéreos. Será preciso mais tempo com o título para perceber com melhor detalhe as diferenças entre elas, mas importa desde já salientar que podem alternar de classe sempre que o vosso carro for destruído, embora isso signifique ter de voltar a fazer crescer a percentagem de Rush.

Dito isto, independentemente da vossa escolha ou preferência, uma coisa é certa: a sensação de velocidade estará sempre presente. Juntamente com a sensação de velocidade, Onrush proporciona-nos constantemente a sensação de que podemos a qualquer momento dar um beijo apaixonado nos limites ou em algum dos obstáculos dos diversificados percursos aqui apresentados. Tendo em conta o pedigree, não é surpreendente que estejamos perante uma obra bastante agradável visualmente, com o colorido dos veículos e dos cenários a saltar frequentemente à vista.

Depois de mais de duas horas com a beta de Onrush, as primeiras impressões são claramente positivas. Pode não ser o substituto mais tradicional de Motorstorm que eu esperava e desejava, mas oferece um experiência assente naquilo que de melhor as obras da Evolution nos proporcionavam, ou seja, nas velocidades alucinantes e no caos espalhado por pistas recheadas de bifurcações e de colisões frequentes. Agora resta saber como a comunidade manterá a componente multijogador da obra viva e qual a profundidade oferecida pelo seu conteúdo offline.

Onrush chega à PlayStation 4 e Xbox One no dia 5 de junho.

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