Filipe Urriça por - Dec 17, 2021

Pack de Expansão tem potencial, mas não tem argumentos suficientes para ser apelativo

Com o novo serviço que foi adicionado ao Nintendo Switch Online, a casa de Quioto ainda tem muito trabalho pela frente para acrescentar valor ao Pack de Expansão. Esta nova adição aumenta em quase vinte euros o que se pagava anualmente – e ainda se pode pagar – pelo serviço base. Apesar do Pack de Expansão, neste momento, ser caro para aquilo que oferece, já podemos ver alguns indícios daquilo que será, provavelmente, oferecido na nova subscrição.

Uma das maiores razões para se subscrever ao Pack de Expansão são os clássicos da Nintendo 64 e da SEGA Mega Drive, em aplicações próprias como já existe para a NES e SNES. Incluir a Mega Drive foi uma enorme surpresa, quando este serviço foi anunciado, porque é estranho isso acontecer dada a rivalidade que existiu entre a Nintendo e a SEGA nos anos noventa. Porém, há mais uma razão: é-vos oferecido o DLC de Animal Crossing: New Horizons, Happy Home Paradise. Para já, não sabemos se serão lançados mais conteúdos adicionais, o que já foi divulgado publicamente é que teremos mais jogos da Nintendo 64 (já foi disponibilizado Paper Mario, para além dos nove jogos de lançamento, e Banjo-Kazooie será lançado em janeiro).

Como é óbvio, podemos sempre fazer um pequeno exercício de especulação sobre os planos da casa de Quioto, para saber como é que poderão justificar o aumento do preço da subscrição para o dobro (não é obrigatório, podem continuar a pagar os vinte euros anuais e não acederem ao Pack de Expansão). Por isso, se o valor monetário duplica, deveríamos, supostamente, receber o dobro do conteúdo. Possivelmente, será o que irá acontecer à Nintendo 64 e à SEGA Mega Drive, se a Nintendo mantiver a mesma filosofia que teve com as aplicações NES e SNES, até agora.

Contudo, os novos jogos deviam chegar com mais antecedência e frequência e não a conta-gotas, porque só passados dois meses é que recebemos Paper Mario e é apenas no mês seguinte vamos ter o grande Banjo-Kazooie. Também seria bastante agradável que a Nintendo não fizesse de Happy Home Paradise uma exceção à regra, há tantos títulos interessantes a chegar em 2022, tanto internos como externos, que só valorizariam se recebessem conteúdo adicional como aconteceu com New Horizons, sem termos de pagar mais para além da nova subscrição. Falo de jogos como a sequela de Breath of the Wild, Splatoon 3, Mario + Rabbids: Sparks of Hope ou até Bayonetta 3. O que não falta são obras que podem vir a ter um grande potencial para receberem mais conteúdo e esticar o seu prazo de validade.

O desejo de qualquer jogador é poder ter acesso aos melhores títulos de ambas as consolas, que estão no Pack de Expansão, para poder jogar grandes clássicos que possam ter perdido ou jogá-los novamente, dado que é provável que regresse a mesma felicidade que sentiram quando jogaram estes jogos pela primeira vez. Esta tarefa está, supostamente, facilitada, visto que os melhores jogos da Nintendo 64 foram criados e publicados pela própria Nintendo. É fácil fazer a enumeração das melhores obras que foram feitas na casa da consola doméstica, para depois haver uma equipa a trabalhar no sentido de publicar esses mesmos jogos nas respetivas novas aplicações da subscrição Nintendo Switch Online + Pack de Expansão. Difícil é fazer uma curadoria de jogos que não tenham a mesma fasquia de qualidade de um Super Mario 64 e entregá-los a uma audiência que nem sequer sabia da sua existência – como, provavelmente, jogos que tenham sido publicados apenas no Japão.

Também seria de louvar se a Nintendo lutasse para entregar jogos da Nintendo 64 que não são seus, para serem posteriormente publicados na aplicação da Nintendo Switch. Temos como bons exemplos as obras da Rare (além de Banjo-Kazooie era bom que viessem Goldeneye 007 ou Conker’s Bad Fur Day), da Capcom (apesar de só ter lançado três jogos) ou da Konami (que fez Castlevania: Legacy of Darkness e ISS, o jogo de futebol que deu origem a PES, que agora conhecemos como e-football). Enfim, decerto que há quem seja mais entendido e saiba qual o melhor conjunto de jogos para ser lançados na Nintendo 64.

 

Curioso será ver se a casa de Quioto colocará o mesmo esforço para rechear o catálogo da SEGA Mega Drive, tal como já o fez com os jogos da Super Nintendo Entertainment System. Hoje, já nos entregou o primeiro conjunto de cinco jogos, que conta com Altered Beast e ToeJam & Earl. Vou estar igualmente atento à eventualidade da Nintendo e da SEGA nos poderem entregar versões “Extra” de alguns títulos, apesar de estar apreensivo quanto a esta hipótese remota. Para mim, isto é o que mais me desperta o meu interesse, porque nestas novas versões, que fizeram para a NES (com dezasseis novas versões) e SNES (apesar de ter sido com um único jogo), houve trabalho genuíno; foram quase pequenas experiências que saíram dos laboratórios da Nintendo. Isto, contudo, é muito improvável de acontecer, porque só o fizeram com os jogos tecnicamente mais rudimentares. Se ainda fosse a SEGA Master System que lá estivesse ainda estaria mais convicto da realização desta hipótese, assim fico-me com um simples desejo.

Fiz questão de explorar bem o que os subscritores têm direito, onde joguei, sobretudo, os títulos da consola doméstica da casa de Quioto. Todavia, não me poderia esquecer de fazer algumas partidas com jogos da consola que marcou o início da minha adolescência, a fantástica SEGA Mega Drive. Já tinha saudades do velho Golden Axe, apesar de ser um beat’em up com algumas falhas notórias. Também já não me lembrava das inúmeras horas que passei a jogar Streets of Rage 2 com os meus amigos e agora posso compará-lo, diretamente, com o genial Streets of Rage 4. A evolução nota-se sem grande esforço e só valorizou a série num todo. Infelizmente, o jogo que me é mais querido, Quackshot, não está presente nos dezanove jogos disponíveis – e duvido muito que possa ser lançado num futuro próximo por questões de licenciamento.

 

 

 

Resumindo, o Pack de Expansão poderia ser muito melhor, mas se tivermos em conta a forma como a Nintendo trabalhou os catálogos da NES e da SNES, é possível que esta opinião geral mude num futuro próximo. Poderiam ter sido incluídas outras consolas, nomeadamente as portáteis, assim como outros jogos para além desta tímida curadoria. No entanto, sei que por mais trabalho que a Nintendo tivesse feito, nunca seria suficiente para agradar a gregos e troianos.

A verdade, crua e dura, é que, tal como está, ainda não se justifica pagar mais vinte euros por ano para o conteúdo oferecido. O que é incrédulo, é que a casa de Mario, Zelda e Metroid tem um excelente catálogo para lançar nestas aplicações e que ainda estão ausentes. Oferecer 24 jogos, enquanto temos uma subscrição ativa é bom. Contudo, a Nintendo tem a capacidade para fazer com que isto seja excelente, basta dar os passos na direção certa e colocar um bom par de trunfos em cima da mesa.

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