Os jogos Role Playing Game (RPG) com Mario são acessíveis, mas incrivelmente divertidos. Paper Mario: The Origami King também não foge à regra, mesmo quando altera alguns parâmetros fundamentais dos RPG como, por exemplo, não ser possível amealhar pontos de experiência. Porém, isto não faz de Origami King um mau jogo, muito pelo contrário.

O combate de Paper Mario: The Origami King é o que mais de interessante que há no jogo, pelo menos até onde joguei. Esta fatia essencial da jogabilidade é excecionalmente refrescante na série porque, por um lado é bastante original, por outro não nos cansa tanto como o habitual esquema de combate à qual foi beber inspiração a outros RPG.

Habitualmente, nos RPG com combates por turnos, temos uma equipa de personagens que ataca à vez e, depois, os adversários respondem-nos com a mesma moeda. Paper Mario: The Origami King tem combates por turnos, começamos por efetuar as nossas ações e, no fim, se os oponenetes ainda estiverem em pé, é a vez dos adversários atacarem. É aqui que terminam as semelhanças com o género, porque Origami King trata as batalhas como uns autênticos puzzles e é precisamente aí que está a diversão.

Quando começa a batalha entramos num ringue composto por anéis e Mario está no centro. Temos duas ações ao nosso dispor, organizar e atacar os inimigos. Os nossos oponentes são os habituais lacaios de Bowser, mas dobrados em peças origami, que ficam espalhados pelos quatro anéis do ringue. A fase de preparação consiste em arrumar os nossos inimigos em fila ou agrupados em quatro, conforme a técnica de ataque que queremos usar. Porém, como temos um número limitado de movimentação dos anéis, acabamos por juntá-los conforme dá mais jeito e, normalmente, com o menor número de movimentações possíveis dos anéis.

Uma vez bem agrupados, passam ao ataque. Ou saltam em cima dos adversários, ou aplicam uma boa pancada com o vosso martelo. E claro, como já se tornou apanágio nesta série de RPG, quando pressionarem o botão A no momento correto conseguem aumentar o dano do vosso ataque. O objetivo passa por eliminar todos os vossos inimigos de uma só vez e a dificuldade encontra-se no agrupamento dos vossos inimigos com um temporizador e com uma quantidade reduzida de vezes que podem mexer nos anéis.

Esta forma de jogar é revigorante para quem já joga a série RPG com Mario há algum tempo. O próprio combate não é um combate por si só, mas um autêntico quebra-cabeças para solucionar. Contudo, pode ser confuso conseguir juntar um fila de inimigos Goomba e outra com alguns Shy Guy. Não são os inimigos que torna isto complicado, porque saber como agrupá-los rapidamente é o mais difícil, principalmente quando estão muito afastados uns dos outros.

Além de poderem rodar os anéis, também podem mover os inimigos numa linha e passá-los para a linha oposta. Como é claro, as situações mais complicadas surgem quando temos de fazer uma combinação destes dois movimentos. Não foram raras as vezes em que os trinta segundos que me são dados para resolver este problema não foram suficientes. Tive de recorrer a ajuda adicional, ou eliminar os inimigos em pequenos grupos. Quando o alinhamento não está correto, as ações de ataque que temos disponíveis nunca são suficientes para eliminar os inimigos de uma só vez, vai sempre sobrar alguém que nos vai causar problemas e provocar-nos algum dano.

Depois, ainda há uma outra componente de batalha: os bosses. Estes invertem a forma como encaramos a batalha, porque agora são eles que estão no centro dos anéis. Mario está na periferia e com a ajuda de setas e de ações espalhadas pelos anéis tem de chegar até junto do boss para lhe provocar dano. Isto torna, novamente, o combate muito interessante, sem que fiquemos presos à abordagem inicial.

O não poder amealhar pontos de experiência não torna Paper Mario: The Origami King numa má proposta. É certo, não evoluimos, logo não aumentamos o dano que podemos infligir nos inimigos. Por isso, haverá itens que terão acesso em determinadas alturas que servem quase como um aumento de nível. Quando apanhei um desses objetos, passei a ser capaz de eliminar inimigos com o martelo antes de entrar para o ringue de combate, além dos meus pontos de vida terem aumentado de cinquenta para setenta.

Resumindo as primeiras horas que estive com o novo título da casa de Quioto, foram horas de verdadeira descoberta, onde o jogo não só exibe a sua nova abordagem ao combate, tal como expande este conceito de organização de inimigos antes de os atacar. Assim, só posso assumir que o resto do jogo deverá ser muito agradável. E claro, o jogo não é só feito de mecânicas e jogabilidade, mas é este aspeto em que a Nintendo é boa a criar, Origami King só o veio provar ao apresentar um chorrilho de ideias bem implementadas.

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