Olá, eu sou a Thea e este é o meu projecto

Red Dead Monopoly é uma caixa tanto quanto uma caixa pode ser a tela da imaginação. Thea Larsen tinha que realizar um projeto escolar. Algo único. Algo surpreendente aos olhos dos professores e, sobretudo, aos seus próprios olhos. Olhando à sua volta à procura de inspiração, reparou que tinha à mão um vício enorme: Red Dead Redemption. Western spaghetti para alguns, destruidor de horas para a maioria, a obra da Rockstar estava, inadvertidamente, a ser motor de arranque à criatividade de uma jovem norueguesa de 18 anos.

Ao certo, Red Dead Monopoly é uma versão Monopoly inspirada por Red Dead Redemption. Ao incerto, é uma demonstração de amor a uma disposição digital. A ideia de combinar os dois mundos não é verdadeiramente devastadora teoricamente, por isso deixem-se pasmar pela qualidade da execução. Seja como for, tudo será explicado nos próximos parágrafos.

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Olá, eu sou a Thea e este é o meu vício

Durante a entrevista que fiz a Thea Larsen, tive que perguntar até onde ia a paixão por Red Dead em termos de horas, em termos de estadia naquele mundo: "Sim, sou uma grande fã do jogo e da produtora que o criou". À partida sabia que para alcançar o detalhe que podem ver nas imagens que acompanham este especial, o jogo tinha que ter sido experimentado, o que não sabia era que foi Red Dead que tinha apresentado Thea ao mundo dos videojogos e que, segundo ela, dificilmente será superado.

"Desde então, passei para outros jogos, mas julgo que Red Dead Redemption permanecerá como o meu favorito." O sangue de Thea corre fino quando o tema da conversa é John Marston e as suas aventuras. Como qualquer fã dedicado, além de ter terminado a história principal várias vezes, por aqui o amor expandiu-se com todos conteúdos extra e por incontáveis sessões multijogador.

Lutar os fora-da-lei, fazer amigos, socializar enquanto se planeiam cavalgadas. O bando percorreu o Velho Oeste de uma ponta a outra, decorou as falas de Marston, da sua mulher e do seu filho. Joga-se de memória, como os grandes artistas pintam quadros ou esculpem esculturas que provocam sentimentos.

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Olá, eu sou a Thea e esta é a minha inspiração

O tema do projeto escolar já mencionado era, ao certo, refazer e repensar um jogo de tabuleiro já existente. "Sabia que Red Dead Monopoly daria um excelente jogo de tabuleiro, mas a ideia foi despoletada pelo design que já trazia na cabeça."

Thea continua, explicando que queria fazer algo com a textura do papel manchada pelas nódoas do café. Algo facilmente reconhecível por todos que já tenham experimentado o jogo, algo divertido para conhecedores ou não da fonte de inspiração.

Demorada, a autora é uma confessa praticante da bela arte de procrastinar, portanto, o trabalho a sério tardou em começar, o que levou a uma concentração total na execução durante as horas gastas na mesma.

Anotados os factos básicos do jogo, a opção recaiu em não fazer alterações ao jogo de tabuleiro: "Decidi não fazer nenhuma alteração. Queria que a minha obra fosse o mais parecido com o Monopólio, sem que fosse um clone direto."

A primeira decisão recaiu sobre o logotipo, pois, segundo Thea, é uma das partes mais importantes do design. O objetivo era causar impacto, dai a escolha pela silhueta de um dos primeiros revólveres do jogo, com a inscrição "Red Dead Redemption - Monopoly Edition" por baixo.

Olhando para trás, um dos arrependimentos foi não ter incluído a palavra "Monopoly" na parte destacada do título, porém, talvez tenha sido boa ideia não o fazer, porque "como não é um produto oficial, deve ser Red Dead Redemption a estar na ribalta e não o jogo de tabuleiro."

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Olá, eu sou a Thea e este é o meu trabalho

Com os pormenores anotados, com as decisões de design tomadas, com a visão geral mentalmente definida, faltava colocar as mãos ao trabalho, faltava materializar a ideia. Foi exatamente isso que Thea fez nos próximos dias.

"Fui eu própria que fiz o tabuleiro, a caixa, as cartas Sorte e Comunidade, o dinheiro, a minha parte favorita do jogo."

Quando conheci o projeto, um dos aspetos que mais me deixou interessado foram os pormenores das cartas, das propriedades, do dinheiro. A concepção de colocar em prático algo amador destinado a uma avaliação escolar, podia rapidamente recair sobre a visão geral e consequentemente obliteração dos detalhes. Não foi o que aconteceu.

Foi muito difícil manter ordem nas ideias enquanto aparecia um novo detalhe, um novo pormenor que tinha que ser adicionado, mesmo que apenas uma pessoa viesse a reparar nele. Para tal, Thea teve que se rodear de vários documentos à mão enquanto passava, mais uma vez, a história principal de Red Dead Redemption a pente-fino. O objetivo era perceber que locais e propriedades deveriam aparecer no tabuleiro, assim como arranjar ideias para as inúmeras casas utilidade do jogo físico.

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Olá, eu sou a Thea e estes são os meus erros

Durante o processo, vários erros foram cometidos. Alguns corrigidos a tempo da apresentação do trabalho, outros incluídos na versão final do tabuleiro.

"Cometi alguns erros, mas como só tinha apenas duas semanas para concluir o projeto, os meus professores decidiram não penalizar-me. Alterei as cores das propriedades e movi os lugares das multas e das cartas sorte e comunidade."

Cada vez mais convencido do poder tutelar do projeto, a autora confirma isso mesmo na resposta à minha pergunta que pedia alguns exemplos concretos do processo de aprendizagem. Quando imprimiu a primeira versão do tabuleiro, as letras estavam ao contrário. Quando imprimiu a segunda versão do tabuleiro, Hunting Ground estava soletrado como "huntin gground".

A necessidade aguça o engenho, portanto, à terceira tentativa Thea começou a perceber que o método estava errado: em vez de continuar a imprimir versões do tabuleiro de jogo, era melhor usar cola num cartão mais resistente.

Erro novamente: ao tentar cortar o material excedente, um enorme lanho de lés-a-lés. Corrigido o problema, o processo continuou e é a própria autora a confessar que "aprendi imenso, como por exemplo imprimir pequenas versões do trabalho para ter a certeza que está como deveria estar."

Ou seja, um videojogo popular estava a ensinar a perseverança e um processo criativo contínuo, o que seria exatamente o motivo pelo qual os professores solicitaram o trabalho em primeiro lugar.

Todavia, o projeto foi entregue incompleto. A falta de tempo traiu as ideias megalómanas e nem mesmo trabalhar na escola até às nove da noite conseguiu ser suficiente para concluir a 100% o jogo de tabuleiro.

Ainda assim, a jovem norueguesa pretende terminar o projeto no próximo Verão: foi corrigir os pequenos erros. Estou ainda a pensar trocar o cartão da caixa por madeira, completa com uma fechadura que deixe transparecer a era dos cowboys."

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Olá, eu sou a Thea e continuo independente

Apesar do sucesso de Red Dead Monopoly na internet, nenhum fabricante de jogos de tabuleiro abordou a autora para levar a sua ideia até à produção massiva. Não recebeu nenhuma oferta nem foi contatada por ninguém da área.

É óbvio que os direitos de autor pagos à Rockstar não deveriam ser baratos, porém, não era a primeira ideia nascida de uma necessidade que era adaptada comercialmente.

A produtora do jogo também não a contatou diretamente, mas Thea mantém uma esperança secreta: "gosto de pensar que repararam no meu jogo. Não recebi nenhum email oficial nem nada do género,

porém,

o ator que vocalizou Irish, uma das personagens do jogo, entrou em contato com Thea, deixando-a a sonhar acordada, como comprova o "Awesome" dado à nossa pergunta.

Apesar da ausência de interesse da Rockstar ou dos fabricantes desde tipo de passatempo, a comunidade tem louvado os seus esforços: "o reconhecimento tem sido incrível e esmagador. Não estava preparada para que o meu projeto se tornasse viral. Estou completamente chocada com o feedback que tenho tido passadas tão poucas horas após ter tornado público o jogo", diz Thea mostrando o sentimento que tudo valeu a pena.

Apesar da falta de interesse em licenciar o jogo, houveram inúmeras ofertas para comprar o único exemplar criado até hoje. Vários membros da comunidade querem adicionar Red Dead Monopoly à sua coleção alusiva ao western da Rockstar. Todavia, tal não vai ser possível, pois a autora recusou todas as ofertas.

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Olá, eu sou a Thea e este é o meu futuro

Depois de um sucesso tão retumbante, uma das perguntas tinha que ser sobre o futuro da promissora artista gráfica. Em termos de videojogos, naquela casa nórdica terminou-se Far Cry 3 e prepara-se um regresso a Minecraft.

Em termos de jogos de tabuleiro, "estou a planear criar um "spinoff" de Red Dead

mas num jogo chamado "Bang!".

Profissionalmente, o seu emprego de sonho era trabalhar para um estúdio como designer de personagens, arte conceptual ou como designer 3D de ambientes. "Ainda não sei onde é que vou parar, mas aspiro a dar o meu melhor. Sempre."

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Olá, eu não sou a Thea e esta é a conclusão

Por esta altura já perceberam que Red Dead Monopoly foi um projeto escolar que tornou-se um frenesim na internet. Thea, a sua autora, parece não se deixar contagiar em demasia por todos os que à sua voltam a elogiam e tentam comprar a única cópia do jogo.

Além de toda a beleza, arte e detalhes da obra, o que me levou a fazer este especial e a entrevistar a mente que elaborou tudo isto, foi a prova que os videojogos podem ser a fonte de muitos trabalhos, nomeadamente, trabalhos escolares.

Assim como errar faz parte do caminho. Desde impressões trocadas a cortes mal dados, passando pela mudança de método de trabalho, é possível melhorar motivados por um videojogo.

Este jogo foi um projeto escolar. Para os mais curiosos, Thea Larsen obteve a classificação de 100% pelo seu jogo, ou seja, um 6 no serviço escolar norueguês, como a autora faz questão de especificar.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!