Pedro Marques dos Santos por - Nov 22, 2018

Explorar Nova Iorque pela batuta de Spider-Man

Sim, é mesmo verdade. Os astros alinharam-se todos na perfeição para que os desejos de muitos jogadores e fãs dos heróis de banda desenhada se tornassem realidade e estes fossem presenteados com uma obra protagonizada pelo mais popular nome da Marvel, produzida por um experiente e aclamado estúdio com o apoio financeiro da Sony e da própria gigante das histórias em quadradinhos. Os condimentos para algo especial estavam todos lá, faltava apenas que a execução não metesse os pés pelas mãos e estragasse uma combinação ideal de fatores.

Sim, já passámos algumas horas com Spider-Man na PlayStation 4. Não, ainda não estamos preparados para tecer as considerações finais sobre o exclusivo da autoria da Insomniac Games, estúdio responsável por obras como Ratchet & Clank, Resistance e Sunset Overdrive. Dito isto, e porque não queremos passar ao lado do dia em que toda a crítica especializada está com atenções viradas para o título, decidimos pegar num dos elementos que mais se tem destacado durante a nossa ainda curta estadia na aventura de Peter Parker.

Falamos obviamente do seu mundo aberto, da sua Nova Iorque recheada de arranha-céus e ruas movimentadas e, mais concretamente, da nossa movimentação pela mesma. Suportada pela teias disparadas pelos pulsos do herói, a qualidade de um jogo Spider-Man depende muito da forma como este consegue transformar o único e peculiar meio de deslocação de Peter numa experiência recompensadora para o jogador. É por isso que, mesmo volvidos tantos anos, o velhinho Spider-Man 2 da Treyarch continua a ser recordado com saudosismo por parte dos fãs do Homem-Aranha. 

Spider-Man 2 foi o pináculo das obras licenciadas no que diz respeito à representação da deslocação do super-herói pela sua cidade, um pináculo que finalmente encontra um sucessor capaz de o ultrapassar na obra da Insomniac Games. Sempre acompanhados por uma banda sonora que torna tudo um pouco mais épico, movimentar-nos pela cidade oferece uma sensação incrivelmente libertadora da qual nunca nos cansamos, sendo que a diversidade de movimentos que o título coloca à nossa disposição permite que a agilidade e velocidade de Peter seja uma constante fonte de entretenimento e diversão.

Velocidade, liberdade e fluidez são as três componentes centrais da deslocação em Spider-Man e é o seu casamento perfeito que eleva a exploração do vasto mundo aberto à disposição altamente cativante. A maneira como a personagem rapidamente faz a transição entre o balançar das teias disparadas em direção aos edifícios ou árvores que nos rodeiam – e não, não há teias milagrosamente presas às nuvens – até à corrida a alta velocidade pelo topo desses edifícios ou até pelas fachadas laterais dos mesmos é absolutamente impressionante e altamente importante para a qualidade deste aspeto da obra. É este diversificado leque de movimentos do herói que evita que a exploração seja subitamente travada porque mediram mal uma curva e colidiram contra um elemento do cenário.

Spider-Man na PlayStation 4 dá aos jogadores a possibilidade se manterem em constante movimento sem nunca perder a tão importante sensação de velocidade. Como é óbvio, a exploração é alicerçada numa excelente recriação da “cidade que nunca dorme” e pelas atividades secundárias que dão algum sentido à nossa navegação aérea. Com colecionáveis espalhados pela cidade que nos oferecem um maior contexto relativamente à vida de Peter antes do início da história do jogo e um incentivo para visitar locais icónicos de Nova Iorque, como a praça Times Square ou o Empire State Building, a Insomniac preenche o seu mapa com objetivos de menor importância que se tornam bem mais apelativos pois oferecem uma desculpa para passar mais uns minutos a percorrer a cidade a alta velocidade.

Por outro lado, temo que as atividades secundárias mais substanciais, isto é, os pequenos crimes que somos convidados a combater ou os locais de construção populados por rufias a mando de William Fisk – o Kingpin – possam tornar-se algo repetitivas à medida que o contador de horas de jogo for aumentando, embora seja preciso mais tempo com a obra para tirar conclusões finais sobre isso. 

Nas suas primeiras horas e com mais tempo dedicado a realizar objetivos secundários do que a progredir por uma narrativa que promete bastante, Spider-Man tem no método de deslocação do seu herói e na exploração da fantástica cidade de Nova Iorque dois trunfos fortíssimos para garantir o interesse dos jogadores e preservar a sua atenção a longo prazo. É uma recomendação que vos faço: antes de tudo o resto, aproveitem as primeiras horas da obra para passearem livremente pelo mundo aberto criado pela Insomniac e para desfrutar da sensação de velocidade que a movimentação de Peter Parker permite.

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