Tetris 99 é um jogo excelente e as mecânicas do battle royale sublinham o design imaculado que é preservado há mais de trinta anos. Não é o facto de ser um jogo gratuito para subscritores do serviço online da Nintendo que o torna relevante, mas sim o fator surpresa conseguido no momento do lançamento e por continuar a ser um jogo cativante tantos anos depois de ter sido lançado no mercado pela primeira vez.

Tetris 99 continua a ser, no fundo, a obra original do russo Alexey Leonidovich Pajitnov. Agora lutamos para nos manter em jogo até vencermos os outros 98 jogadores. Nos anos noventa, altura em que experimentei Tetris pela primeira vez no meu antigo Gameboy, tínhamos que ser astutos para empilhar e limpar linhas até não aguentarmos mais, enquanto a velocidade de queda das peças aumentava gradualmente, do primeiro ao décimo nível. Nesta nova versão a velocidade continua a aumentar, mas não é essa a principal causa de stress durante o jogo.

Visto tratar-se de um jogo battle royale, o que vai ditar a nossa ruína são os jogadores contra os quais jogamos - assim como a rapidez da nossa reação às variáveis que aparecem ao longo de uma partida. Logo no início podemos escolher quem atacar ou deixar que o jogo faça essa decisão por nós. Porém, deixar que a sorte tome as decisões que podem influenciar o evoluir da partida não é boa ideia. O melhor é mesmo afastar os olhos da vossa grelha, por uns breves segundos, e espreitar que jogadores atacar. Mas, caso não nos queiramos incomodar com os outros, então o melhor é associar as nossas ofensivas a uma das quatro opções possíveis. 

O mais inútil dos ataques, caso não seleccionem nenhum oponente manualmente, é o Random, ou seja, o ataque aleatório. Se o ataque for para alguém que tenha um bom plano estratégico e bastante experiência para se livrar de situações difíceis, então mais vale apontar para outro. O certo é que não o vão saber até o ataque ser efectuado, por isso é que existe outro modo de ataque ainda mais útil que este,simplesmente designado de “K. O.”. Com este modo automatizado o lixo que criamos é enviado para quem está em grandes dificuldades e está prestes a sucumbir à pilha de barras cinzentas que se acumulam gradualmente. Ou seja, é uma das vossas principais armas para eliminarem a concorrência de forma a garantirem, pelo menos, um lugar no pódio. 

É de extrema importância e do vosso máximo interesse serem vocês a eliminarem um grande número de jogadores, porque uma das principais mecânicas assim o exige. Eliminar jogadores dá-vos insígnias que vos permitem multiplicar o número de lixo que vocês mandam para outros jogadores. Após cada insígnia completa que juntam, vão conseguir enviar mais vinte e cinco porcento de barras cinzentas. Por exemplo, cada Tetriminos garante o envio de quatro linhas completas para o oponente, adicionem-lhe uma insígnia e enviam cinco linhas em vez de quatro. Agora, imaginem-vos com duas ou três insígnias. Ganham uma vantagem notável. 

Nesta nova versão de Tetris ganham conforme o aproveitamento que fazem das mecânicas battle royale, porque para atingir a vitória não dependem só da vossa habilidade e astúcia em limpar linhas. É por isso que usar o modo de ataque automático “Badge” é importante para amealhar as tais insígnias, assim há mais hipóteses de poderem ser os campeões da partida atual mais cedo e com maior facilidade. Juntem o maior número de insígnias possíveis, pois só assim sairão vencedores deste intenso jogo mental. 

Tetris 99 não é só uma boa surpresa para quem tem uma Switch, mas uma visão surpreendente e um grande exemplo de como renovar um jogo que outras editoras não têm sabido reavivar. Sim, ainda me lembro da versão de Tetris na PlayStation 4, criado pela Ubisoft. Um autêntico desastre.

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