Escrevo este texto no último dia de 2017, um ano que tem tudo para ser recordado ao longo da próxima década. Se continuarem a ler, terão oportunidade de consultar aqueles que julgo, por motivos diferentes, serem os dez melhores jogos do ano que agora finda, contudo, ao longo dos últimos 365 dias isto dos videojogos teve em boa forma, em muito boa forma.

Claro que existiram algumas polémicas, mas géneros como a simulação automóvel e as plataformas voltaram à ribalta, fomos brindados com aventuras memoráveis e até novo hardware que chegou para animar os espíritos de quem encontra nesta forma de arte paixão e chamamento.

Tal como os meus estimados colegas já mencionaram, esta lista é baseada obviamente apenas naquilo que joguei. Não dúvido que The Legend of Zelda: Breath of the Wild seja um excelente título, mas como não tive oportunidade de lhe dedicar horas suficientes, não será encontrado entre os destaques. Em situação idêntica está Horizon: Zero Dawn, que experimentei ao de leve na PlayStation 4, não me sendo possível ter uma opinião definida.

Antes de chegarmos ao Top 10 - provavelmente já passaram o texto à frente para ver o número um - importa mencionar algumas menções honrosas, títulos que tive oportunidade de jogar e terminar, mas que ficaram à porta dos destaques. Jogos como Hellblade e Resident Evil 7 são bons, muito bons até, mas na reflexão de final de ano acabaram por ser substituídos por algum dos dez jogos que constatarão de seguida. O ponto que quero fazer é: qualquer um dos jogos merece ser jogado; qualquer um dos jogos é excelente, tal como muitos outros que foram publicados em 2017 e que não tive oportunidade de jogar.

Imagens Top 2017 Pedro Martins

Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Os fãs que sabem que o desporto automóvel e os videojogos que lhe devem inspiração são muito mais que apenas andar às voltas estavam desejosos do regresso da série Gran Turismo. Sport foi a estreia da obsessão digital de Kazunori na PlayStation 4 e, mesmo não sendo tudo aquilo que se esperava inicialmente, foi um pontapé na porta.

Sim, o modo a solo tinha um défice de conteúdo aquando do lançamento, mas o online não demorou a ser uma aposta consciente da Polyphony Digital. Não só os eventos levaram-me a voltar constantemente ao jogo, como havia uma antecipação no ar para perceber qual seria o próximo exame electrónico onde teria que investir a minha habilidade e, mais importante, onde seria motivado a melhorá-la.

E nas pistas - onde está o âmago de toda a adrenalina - havia praticamente sempre aquilo que descrevi como um acordo de cavalheiros. Ganhei e perdi pela minha mão. Não há “brilharetes” de tentar acima de tudo prejudicar os outros jogadores, não há o desrespeito de quem não quer saber de nada a não ser do seu umbigo. As regras e as penalizações fundaram uma comunidade que alimentou Sport. Antes, a produtora tinha colocado em marcha um jogo que se degusta com o tempo.

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Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Importa começar estes parágrafos com esta afirmação: a minha experiência com RiME foi na PlayStation 4 e não na Nintendo Switch. Na consola da Sony, a aventura da Tequila Works não me deu demasiadas dores de cabeça à laia de um capítulo técnico aquém. É verdade que na consola da Sony o jogo não é perfeito, contudo, a imagem completa da qual me lembro é ainda de uma estadia memorável.

O estilo gráfico e a excelente banda sonora de David García Díaz são um manto estendido para deixar a obra poética passar. Emocional em crescendo, quando levamos o derradeiro soco no final e vamos ao tapete desamparados, sabemos que as memórias feitas naqueles instantes colocarão em segundo plano os problemas com os puzzles.

É um pouco como The Last Guardian - ainda que não tão bom. Lembro-me incontáveis vezes da criação de Fumito Ueda e raramente o primeiro pensamento vai para alguns trechos com controlos frustrantes. Quem gosta de aventuras emocionantes tem aqui algo para considerar. Infelizmente, parece que a viagem até à Nintendo Switch esmoreceu a sua chama, pelo que talvez seja boa ideia evitarem essa versão.

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Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Apesar de não ter sido eu a escrever a análise para o VideoGamer Portugal, Metroid: Samus Returns passou pela minha Nintendo 3DS. Há muito que sigo as aventuras de Samus Aran e este título, ainda que não tinha sido amado por todos, acabou por conquistar um lugar especial na minha memória de 2017.

Não sendo um jogo novo, a sensação de exploração e de desafio levou-me a continuar a jogar. Pode não ser tão complicado como o lançamento original, mas mesmo assim está bem acima de outros jogos. É uma daquelas propostas que vale a pena colocar os auscultadores e entregarmo-nos simplesmente à aventura.

A forma com Samus vai evoluindo ajuda a manter o interesse, algo que também está patente no design dos níveis. Áreas que nos transportam para longe da realidade, mundos que nos sugam com a vontade de por lá ficarmos. Não é o jogo mais dotado graficamente desta lista, mas não é por isso que deve ser ignorado. A MercurySteam fez bem o trabalho de casa.

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Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Outro jogo que não levou as minhas palavras na análise publicada no site, SteamWorld Dig 2 é simplesmente uma das definições para compulsão em formato de videojogo em 2017. As minhas horas com o jogo foram passadas na Nintendo Switch, sendo um dos primeiros jogos a passar pela minha consola; sendo um dos primeiros jogos que tornou impossível desligá-la.

É a exploração, o seu sentido destilado até estarmos mais lá do que cá. A essência que nos ajuda a perceber que os videojogos têm tentáculos muito diferentes para atingir o seu fim. Ajudar esta heroína torna-se a sua ajuda por nós - uma meditação digital de picareta em punho. Chegar fundo naquele mundo é não querer mais a superfície.

Há uma obsessão em descobrir tudo, em encontrar minério, em desbloquear tudo o que está presente no jogo. Essas ajudas servem para que a jogabilidade não estagne, mas acabam por ser também a impulsão para continuar. Isso aliado à nossa inesgotável curiosidade faz de SteamWorld Dig 2 uma afirmação em 2017.

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Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Sendo o segundo jogo de corridas nesta lista, Forza Motorsport 7 apresenta ainda assim valências muito diferentes de Gran Turismo Sport. Eternos rivais na mente de muitos fãs, não tenho qualquer problema em gostar - ou não - dos dois, pois chegam-nos de sítios muito diferentes.

Ainda que tenha passado muito perto de ser um desastre graças às famigeradas Loot Boxes, a obra da Turn 10 foi bastante generosa comigo. Mais do que ser excelente num campo e desprovida de conteúdo noutro, Forza é sólido em praticamente tudo o que faz.

Ou seja, é um jogo mais equilibrado. Há muito para fazer na carreira, há muitos carros para atiçar o sonho, há um modo online competente. No fundo, é um marco de 2017 por proporcionar o sonho de uma garagem que estamos habituados em ver em filmes de qualidade dúbia ou no Dubai. Quero mais Forza Motorsport, quero mais Gran Turismo. E claro, quero mais Forza Horizon.

Imagens Top 2017 Pedro Martins

Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Quando a Naughty Dog lança um jogo, o mundo dos videojogos presta atenção. Enquanto o hype já começa a ferver para The Last os Us: Part II, importa não esquecer Uncharted: The Lost Legacy. Não só porque é um jogo que prova - ainda é preciso em 2017? - que a série pode perfeitamente ser liderada por duas protagonistas, mas porque é simplesmente um excelente jogo.

Tecnicamente está num campeonato à parte - tive oportunidade de o jogar numa PlayStation 4 Pro ligada a uma televisão 4K. O que a produtora faz, contudo, com todo este talento técnico é colocá-lo ao serviço do ambiente que passa, é aplicar a beleza ao sentimento. Não é uma demo tecnológica, mas sim uma obra com um grande coração e uma tez esbelta.

Se têm uma PlayStation 4 é provável que já o tenham jogado. Caso não o tenham feito, é algo que devem corrigir. O sentido de aventura, a abertura de parte do mapa, a ação efervescente, as linhas de diálogo que alimentam a química entre personagens, enfim, é um Uncharted que continua a linhagem excelsa.

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Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Muito se escreveu sobre Cuphead antes, durante e após o seu lançamento. Tido como um dos jogos mais exigentes de 2017, é também um onde a sensação de conquista é mais evidente. É um daqueles jogos que se pode apontar por colocar o género de plataformas como tema de conversa, é um daqueles jogos que facilmente será recordado daqui a dez anos.

Além de uma jogabilidade que aniquila sem dó nem piedade qualquer um, o jogo da Studio MDHR é uma afirmação pelo seu departamento técnico. A sonoplastia é boa, mas o seu grafismo está bem lá no alto. Prestando homenagem aos desenhos animados de outrora, resulta perfeitamente em 2017 - e suspeito que resultará se voltar daqui a dois ou cinco anos.

Pode ser acusado de não saber quando parar de bater no jogador, especialmente na reta final, mas não pode ser acusado de não tentar algo novo. E resulta, resulta tão bem que a frustração só não é maior graças ao seu charme e carisma. Fosse um jogo com um estilo gráfico banal e o número de comandos crivados na parede seria ainda maior.

Imagens Top 2017 Pedro Martins

Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Quem diria que em 2017 fossemos falar tanto sobre Nazis. Infelizmente essa frase é válida tanto para o mundo dos videojogos como para o mundo real. Em Wolfenstein 2: The New Colossus ficamos embriagados com tanto poder bélico, como se aquele mundo fosse pensado com apenas a palavra diversão em mente, como se aquele mundo não soubesse o que o mundo real tinha na manga para 2017.

O arco narrativo não nos larga e a escrita consegue dar química às personagens. Se lhe juntarmos uma excelente antagonista e um departamento técnico competente temos os ingredientes para um jogo de excelência. Felizmente, a soma é ainda melhor que as suas partes. É um dos grandes destaques da Bethesda, é um grande videojogo que aposta as suas fichas na aventura a solo.

Wolfenstein 2: The New Colossus tem algo a dizer e não se escusa à violência sem filtros. Na sua mensagem podemos encontrar o extremismo de quem vive para prejudicar os outros. Somos o antídoto para a maldade numa execução que não tem nada, mas mesmo nada, de enfadonho. Para mim, é um dos videojogos que mais alto subiram em 2017.

Imagens Top 2017 Pedro Martins

Classificação VideoGamer Portugal - 9/10

Na minha análise a What Remains of Edith Finch escrevi que “apesar de ser curto, enquanto está com o jogador, What Remains of Edith Finch afirma-se como uma das melhores surpresas de 2017 até à data”. Isto foi em maio. Agora que penso nos últimos 12 meses, coloco o jogo na segunda posição desta tabela.

É curto? Sim. Mas é excelente de uma ponta à outra, não concebendo sequer o termo “morno”. A escrita é excelente, inquestionavelmente uma das melhores que me passou pela televisão este ano. Sim, pela televisão - seja em videojogo, série ou filme. Enquanto escrevo estas linhas cresce a vontade de o jogar novamente, tal é a sua afirmação em mim.

Escrevi aquela análise muito antes do seu reconhecimento com prémios, mas é bom perceber que a produtora está a caminhar para ser conhecida por mais jogadores. What Remains of Edith Finch brilha também no seu departamento técnico, atirando o design habitual pela janela fora e crivando o seu próprio estilo. 

No meu texto original escrevi também dois pontos. Que queria mais do jogo e aconselhei a que “estejam muito atentos ao futuro da Giant Sparrow”. Agora no final do ano posso com todas as certezas misturar essas duas afirmações e afirmar que simplesmente quero mais do futuro da Giant Sparrow. Se for tão bom como Edith Finch, é provável a verem-no numa futura lista de final de ano.

Imagens Top 2017 Pedro Martins

Classificação VideoGamer Portugal - 10/10

Super Mario Odyssey é indissociável de 2017. Pensem neste ano daqui a algum tempo e o exclusivo Nintendo Switch estará inquestionavelmente entre os primeiros pensamentos. O que a Nintendo consegue com este jogo é isto: colocar num nível mais criatividade do que muitos jogos conseguem de uma ponta à outra.

Viajando na Odyssey e recolher luas parece demodê? Claro, claro. A questão é que quando cheguei ao terceiro ou quarto mundo comecei a pensar: como é que este nível de brilhantismo vai continuar? Será que consegue continuar? Não, não vai continuar. Vai melhorar. Super Mario Odyssey é simplesmente um curso intensivo de criatividade.

Tecnicamente dotado e com uma jogabilidade imaculada, prova que a Switch é capaz de mesmo muito nas mãos de quem sabe. É impressionante como no seu primeiro ano de vida, a pequena consola da Nintendo recebe dois dos melhores jogos de 2017. Augura grandes feitos, sim, mas faz da Switch uma consola entregue em bandeja de prata aos fãs que poderão ter ficado desiludidos depois de investir o seu dinheiro na Wii U.

Super Mario Odyssey é o meu Jogo do Ano porque é uma daquelas obras que nos fazem sonhar com um comando nas mãos; é um daqueles videojogos que fazem a indústria progredir, uma aventura numa série tão longa que acaba por provar que é possível haver longevidade e criatividade. Tantos anos depois da sua criação, Mario tem neste jogo um dos expoentes máximos da sua linhagem e, pessoalmente, o melhor jogo de 2017.

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