O meu Top 10 é, como qualquer outro, pessoal e intransmissível. Mais uma vez, foi um ano em que joguei essencialmente na Nintendo Switch, o que se reflete nas minhas escolhas. Apesar de não poder jogar Death Stranding, Sekiro: Shadows Die Twice ou Gears 5, joguei excelentes títulos como Luigi's Mansion 3, Super Mario Maker 2 e Astral Chain. Enfim, tenho a certeza que mais ninguém teve um ano como o meu, assim como eu não tive um como o do Pedro Martins ou o do Pedro Marques dos Santos.

No fecho desta década a Nintendo celebrou os seus cento e trinta anos, aproveitando para o marcar com novas experiências: há uma nova versão da Nintendo Switch e Ring Fit Adventure foi um lançamento totalmente inesperado. Reggie Fils-Aimé reformou-se e deixou a Nintendo of America entregue a Doug Bowser. Foi também, obviamente, um ano de grandes jogos, apesar de não virem das séries mais emblemáticas que estão associadas à marca nipónica.

Ficaram, obviamente, muitas obras por jogar que alterariam, de certeza, esta minha lista. Não foi o melhor ano de sempre da indústria dos videojogos em termos de obras lançadas, mas espreitem o que aí vem para o próximo ano e é possível concordarem que 2020 marcará esta indústria, até porque vêm aí novas consolas.

Aqui fica a lista dos dez melhores jogos que experimentei este ano.

10. Slay the Spire - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Não estava à espera de ter Slay the Spire na minha lista de análises, mas ainda bem que o tive. Sabia da sua existência, contudo, pensei que fosse mais um jogo de cartas a tentar destronar Hearthstone, imitando-o. A soma das suas partes torna Slay The Spire bem mais interessante que o jogo da Blizzard.

Slay the Spire é um jogo de cartas como nenhum outro, que recompensa o jogador pela experimentação e pela simbiose dinâmica das suas mecânicas, após alguns testes com novas cartas. O que o torna único, porém, é a construção do nosso baralho à medida que progredimos e recolhemos novas cartas. São decisões que se vão refletir na forma como avançamos, sobretudo em inimigos mais complicados.

Assim, a produtora americana Mega Crit Games apresenta uma abordagem fresca e original ao género e que consegue ser uma das melhores experiências de 2019. Um título que se recomenda a quem gosta de jogos de cartas e a quem está na dúvida se quer entrar neste mundo que lhe consumirá largas horas do seu tempo.

9. Trine 4: The Nightmare Prince - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Os produtores de videojogos têm o poder de transformar puzzles mundanos em algo revigorante para a mente e, ao mesmo tempo, num exercício divertido. A série da finlandesa Frozenbyte descarrilou ao terceiro capítulo, contudo, resnasceu das cinzas como uma ave mitológica. Tine 4: The Nightmare Prince é uma homenagem aos jogos de puzzles e ao design que estes requerem para funcionar.

O jogo filandês será recordado por incluir quebra-cabeças originais e implementar mecânicas que favorecem o jogo sem aborrecer quem o joga. Há um certo dinamismo entre a troca de personagens de habilidades distintas, sendo o pressionar do botão o único travão à progressão, ou seja, não é praticamente nenhum. Bloquear em jogos de puzzles é o efeito mais comum quando temos de pensar para avançar, chegar à solução que temos de encontrar para sairmos do mesmo sítio.

Trine 4 é um regresso à forma da Frozenbyte, mas é também um certificado de que os jogos de puzzles lineares e bidimensionais têm lugar no mercado dos videojogos, independentemente da plataforma onde são publicados.

8. Yooka-Laylee and the Impossible Lair - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Para os apreciadores de jogos de plataformas com puzzles, The Impossible Lair foi uma surpresa e uma lufada de ar fesco em Yooka-Laylee. O primeiro título quis ser um Banjo-Kazooie, quando na realidade só tinha de ser um Donkey Kong Country e manter a sua peculiar identidade.

The Impossible Lair poderia nem ter existido se os produtores tivessem desistido, após as más críticas ao primeiro jogo. Felizmente, os produtores ergueram-se e fizeram aquilo que melhor sabem fazer: um jogo de plataformas com um excelente design para o sustentar. Há quem se distraia entre o ruído que tantos jogos fazem para receberem a atenção dos jogadores, o que poderá fazer com que pérolas como esta passem despercebidas.

Se forem bons jogadores podem acabar o jogo bastante rápido, mas iriam perder uma enorme quantidade de bom conteúdo que nos faz lembrar o porquê de termos saudades da Rare, antes desta ter sido comprada pela Microsoft. Façam um favor a vocês mesmos e deêm uma oportunidade a este excelente jogo de plataformas.

7. The Legend of Zelda: Link’s Awakening - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

A Nintendo é uma das empresas com um dos catálogos mais completos com jogos que mereciam ser adaptados para a nova audiência que captou com a Nintendo Switch. The Legend of Zelda: Link’s Awakening foi uma excelente escolha, porque apesar de estar muito mais bonito, mantém os princípios de design com os quais se comprometeu no original.

Link’s Awakening dá-nos um herói que vai, lentamente, descobrindo uma ilha misteriosa. É muito fácil perdermo-nos neste jogo, temos de ter um sentido de orientação muito bom ou, caso contrário, saber pesquisar muito bem no Google para saber onde ir ou o que nos falta para ir para um sítio que está bloqueado. Não ceder a estas facilidades e descobrir para onde temos de ir tem o seu encanto e não deixa de ser recompensador.

Por esta altura, a Nintendo poderia muito bem adapatar outros jogos como este. Golden Sun continua esquecido e cada vez mais desconhecido pelo público. Todavia, se ainda vos resta algum dinheiro das compras desta época festiva, então The Legend of Zelda: Link’s Awakening é uma excelente escolha.

6. Super Mario Maker 2 - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

A Nintendo tem produtores que são autênticas lendas no que toca ao design de níveis e Super Mario é uma das séries da gigante nipónica que o prova. Alguns dos jogadores que cresceram com estes jogos são agora produtores das suas próprias obras. Com Super Mario Maker 2 a Nintendo dá a conhecer o prazer, ainda mais refinado, que é construir um nível, sem o trabalho de escrevermos uma única linha de código.

Esta sequela não só melhora como apura aquilo que a Nintendo almejou com o original lançado na Wii U. Obviamente, não será aqui que vamos criar um Super Mario Galaxy ou um Super Mario Odyssey, mas temos todas as ferramentas para criar um nível que poderia muito bem ter sido inserido num cartucho de Super Mario Bros.

Claro, quem não gosta de criar também tem aqui bons motivos para adquirir o jogo, e pode experimentar o que de melhor se cria na comunidade que a Nintendo fomentou com o jogo. Há também uma boa campanha para aprenderem o que é possível fazer com o jogo. É um dos grandes jogos de 2019 que mais impulsionou a criatividade dos jogadores.

5. Tetris 99

É incrível pensar que um jogo lançado na Gameboy e na NES poderia ser modernizado para o público de hoje em dia. Tetris e Battle Royale são dois conceitos tão diferentes que, quando Tetris 99 estreou através do serviço Nintendo Switch Online, revelou ser uma excelente surpresa.

Aliás, a supresa foi tão marcante que não me esquci de a incluir na minha lista dos melhores jogos do ano. A fórmula ainda é a mesma, mas com um nível de pressão ainda mais intenso do que o aumento da velocidade a que caem as peças.

Saber que há outros jogadores que podem colocar lixo na nossa grelha é stressante, principalmente quando não são as peças que queremos que estão a cair. É um autêntico teste à nossa capacidade de adaptação às adversidades, se formos inflexíveis quanto à forma de jogar então não vamos durar muito nas partidas multijogador. É obrigatório subscrever ao serviço Nintendo Switch Online para aceder ao jogo, mas vinte euros por ano para um jogo tão bom como este é uma pechincha.

4. Cadence of Hyrule - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Sim, são dois jogos Zelda que estão na minha lista. Contudo, Cadence of Hyrule tem um toque especial por ter como base o excelente Crypt of the NecroDancer. Se o jogo da Brace Yourself Games não tivesse a fantástica música que tem, talvez não fosse tão memorável.

Cadence of Hyrule é na sua essência um jogo de combate. Todavia, é um combate que tem de ser executado ao ritmo da música, sair do ritmo implica perder; sair do ritmo da batida da música é, no fundo, sair do jogo. Temos de estar investidos no que estamos a fazer, e quando o fazemos num jogo tão bom, não damos conta do tempo passar, nem das inúmeras horas que passamos no Spotify a ouvir as músicas compostas por Danny Baranowsky.

Com esta obra, ficamos também a pensar nas oportunidades que a Nintendo abriu ao poder entregar as suas séries a produtoras independentes. Se gostam de ritmo e música este é um excelente jogo a ter em conta.

3. Astral Chain - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

A PlatinumGames está a transfomar-se numa Telltale, de tantas obras que está a criar em simultâneo. Após ter terminado Astral Chain, ainda tem Bayonetta 3 e Babylon's Fall para entregar - dois jogos dos quais sabemos muito pouco ou praticamente nada. Felizmente, jogo após jogo, a produtora nipónica entrega trabalhos recomendáveis.

Astral Chain não é o melhor labor da PlatinumGames, mas é um muito bom jogo idealizado para a Nintendo Switch. E mesmo com um combate frenético, é muito mais pausado do que, por exemplo, um Bayonetta. O ser polícia não significa ter de dar porrada constante nos inimigos que se atravessam à vossa frente. Há que fazer a recolha de provas, entrevistar testemunhas ou seguir pistas para irmos até onde ocorreu o bizarro fenómeno sobrenatural.

A Platinum ainda teve tempo de colocar alguma originalidade na simbiose entre máquina e homem. Combater tem a fluidez que já se espera da produtora que tem como figura central Hideki Kamiya. Assim, Astral Chain conseguiu ser um dos melhores títulos de ação lançados este ano na Nintendo Switch.

2. Shovel Knight: King of Cards

King of Cards é uma excelente adição ao conjunto Treasure Trove. Não é tão exigente como Plague of Shadows, mas bem mais difícil do que Spectre of Torment. E além de uma campanha memorável centrada num jogo de cartas, há mecânicas muito boas e bem exploradas que dão uma nova dimensão à jogabilidade da série Shovel Knight.

King of Cards é a história de King Knight; é o explorar de um herói que mostra o que tem para oferecer. E o jogo de cartas é uma muito boa forma de colocar uma pausa no jogo sem que fiquemos parados, porque o próprio jogo tem a sua dificuldade e requer a sua estratégia.

Shovel Knight não ficou mais barato após o lançamento da última campanha, ficou com o preço justo que merece ter. Oferecia tanto por tão pouco e agora que o preço foi ajustado, seja comprando um dos melhores jogos independentes na eShop ou esperando por uma promoção para adquirí-lo como se tivessem comprado o jogo desde o dia que foi lançado - não se vão arrepender de qualquer maneira.

1. Luigi’s Mansion 3 - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Para muitos, a Nintendo é o pináculo de criatividade nos videojogos. Luigi’s Mansion 3 só vem reforçar o que muitos fãs da casa de Quioto já sabiam há anos. É dificíl renovar uma série que se mantém parada por tanto tempo, mas Luigi’s Masnion 3 vem afirmar como é possível inovar sem se colar ao que já fez, nem ao que os outros fazem.

O jogo foi feito em torno de Gooigi - o clone de Luigi que o ajuda na sua aventura. E tanto dá para usá-lo em multijogador, como jogar com ele a solo. Claro que é sempre mais fácil resolver os puzzles apresentados com a ajuda de um amigo sentado ao nosso lado, mas pensar por nós próprios também tem o seu lado recompensador.

Enquanto o resto da indústria permance focada em seguir tendências, a Nintendo trilha o seu próprio caminho. Quem acompanha a marca japonesa tem a oportunidade de obter experiências como a que Luigi’s Mansion 3 oferece, um marco para Nintendo Switch e um marco para o ano em que foi lançado.

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