2020 já está a bater à porta e com ele uma nova vaga de experiências fará o seu caminho até ao mercado. Antes de nos dedicarmos ao futurismo, contudo, o tempo é de fazer balanços, de olhar para o que de melhor estes últimos doze meses nos proporcionaram e homenagear aquilo que mais nos marcou ao longo do ano civil que agora termina. Como sempre, o VideoGamer Portugal não se esconde do momento das decisões - e da polémica -, pelo que a partir de hoje e até ao dia 31 de dezembro vamos publicar as listas referentes às obras favoritas de cada um dos elementos da nossa equipa editorial.

À semelhança do que fazemos desde a fundação do website, o VideoGamer Portugal volta a optar pela elaboração de listas individuais, dando assim total liberdade nas escolhas de cada redator. A justificação para isso é a mesma de sempre: a equipa é reduzida e o tempo para cada um de nós jogar devidamente obras sobre as quais não escrevemos análises ou artigos é escasso. Dessa forma, uma vez que a maioria dos lançamentos do ano apenas foram jogados por um de nós, não faria sentido tentar conjugar numa única listagem obras em relação às quais não existe uma segunda ou terceira opinião.

Mais uma vez, cabe-me a mim dar o pontapé de saída nas festividades e desvendar os títulos que mais apreciei durante este ano. É, tal como em edições transatas desta iniciativa, uma lista altamente influenciada pelos meus gostos pessoais e simultaneamente limitada por aquilo que não tive oportunidade de jogar, sobretudo nesta segunda metade de 2019 em que a minha disponibilidade foi pouca. Dito isto, penso ser uma lista de enorme qualidade, apesar de muitas omissões óbvias.

A Plague Tale: Innocence, Telling Lies, Kingdom Hearts 3, Control, Disco Elysium, Outer Wilds, Star Wars Jedi: Fallen Order, The Outer Worlds, Afterparty, Death Stranding e Pokémon Sword & Shield são apenas alguns exemplos de jogos que, caso os tivesse jogado, provavelmente encontrariam um caminho até ao meu Top 10 ou, no mínimo, às menções honrosas. Aproveito também para deixar aqui uma menção importante a Mutant Year Zero: Road to Eden, obra que apenas joguei em janeiro deste ano, mas que por ter sido lançada em dezembro de 2018 não é elegível para estas contas. Se fosse, estaria bem alto nesta lista.

Feitas as devidas introduções e esclarecimentos, fiquem com as dez obras que mais me satisfizeram ao longo destes últimos doze meses.

10. Concrete Genie - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Estaria a mentir se dissesse que esperava que Concrete Genie tivesse o estofo necessário para figurar nesta lista antes de o ter jogado. Numa indústria que tão frequentemente parece ter perdido a capacidade para me surpreender, sobretudo pela positiva, é sempre bom ser confrontado com algo que excede as expectativas iniciais. A PixelOpus conseguiu isso com esta incrivelmente bela experiência de celebração da arte e da vida.

A forma como Concrete Genie transforma qualquer jogador, independentemente do seu talento, em artista é notável e uma das principais razões pelas quais é uma obra de recomendação tão fácil. Ver os desenhos minimalistas de Ash ganharem vida nas paredes de Denska forneceu-me uma das mais agradáveis sensações de recompensa e satisfação que alguma vez tive num videojogo, sendo que isso se deve em grande parte a uma direção de arte fantástica, capaz de proporcionar “quadros” repletos de cor e brilho.

Aqui, o mundo é mesmo a nossa tela e não faltam meios para as preencher. Não é a mais longa, expansiva ou complexa obra nesta lista, mas é uma experiência diferente das demais, com uma identidade única e personalidade vincada.

9. Devil May Cry 5 - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

“Devil May Cry 5 é assim a prova de que obras pertenças exclusivamente ao género de ação na terceira pessoa e lineares ainda são capazes de deslumbrar em 2019 quando executadas com a mestria de quem sabe o que faz e não tem medo de se manter fiel à sua visão”. Foi desta forma que descrevi o regresso à ribalta da aclamada série da Capcom aquando do seu lançamento, palavras que justificam em parte a sua inclusão neste Top.

Com Hideaki Itsuno de regresso à cadeira de diretor, a nova aventura de Dante e companhia é uma obra à moda antiga, que parece quase não ter lugar no mercado atual onde tudo tem de estar assente num mundo aberto e em campanhas com várias dezenas de horas de duração. Mas há efetivamente lugar para um jogo deste género no mercado, basta para isso que a qualidade esteja presente. Devil May Cry 5 é uma brilhante obra de ação, com um combate que evita a estagnação graças à alternância entre três distintas personagens jogáveis que fornecem abordagens distintas aos inimigos.

“Cada batalha apresenta-se como um violento bailado visualmente estimulante”, o que se traduz numa experiência que é tão recompensadora de se jogar, como agradável de se ver. Infelizmente para Devil May Cry 5, este género está longe de ser um dos meus prediletos, pelo que o potencial desperdiçado ao nível da componente narrativa acabou por o empurrar para uma posição mais baixa nesta lista.

8. Mortal Kombat 11 - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Mais um jogo inserido num género ao qual não dedico muito do meu tempo, Mortal Kombat 11 é, ainda assim, a segunda obra da NetherRealm que consegue infiltrar-se nas minhas listas de final de ano, depois de Injustice 2 já o ter feito em 2017. Apesar de não ter, de todo, o mesmo interesse no mundo e personagens de Mortal Kombat que tenho em relação ao universo da DC, a verdade é que a sua inclusão partilha muitos dos motivos que levaram o esforço anterior da produtora a figurar igualmente entre os meus favoritos do ano.

Para além de ser um excelente título de combate, com a necessária profundidade para os mais devotos do género e a acessibilidade fundamental para não travar a chegada dos mais casuais, Mortal Kombat 11 é sobretudo uma experiência incrivelmente completa. Visualmente poderoso, repleto de conteúdo, opções de personalização e incentivos para continuar a jogar, bem como um modo história que é muito melhor do que provavelmente precisava de ser, tudo isto conjugado resulta numa experiência que transcende o seu género e oferece algo para saciar praticamente qualquer um. Lamenta-se apenas que a progressão e a obtenção de loot seja desnecessariamente confusa e lenta.

7. Heaven's Vault - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Heaven’s Vault é uma experiência de investigação altamente cativante que nos transforma com sucesso em arqueólogos e tradutores de línguas ancestrais perdidas para o tempo. Com um ciclo constante de pergunta-resposta-pergunta durante a sua campanha, a obra da inkle brilha precisamente pela forma como aguça e sacia a curiosidade do jogador de igual forma. Esta fórmula permite que a motivação seja permanente, porque cada nova descoberta nos dá um vislumbre do puzzle completo, mas levanta simultaneamente outras dúvidas que é preciso esclarecer.

É um novelo quase inesgotável que, mesmo após os créditos rolarem pelo ecrã, ainda deixa algumas pontas soltas que apenas serão respondidas em novas passagens e com a tomada de novas decisões e a exploração de novos locais que ficaram por visitar na primeira demanda pela Nebula. Cada visita a um novo cenário e cada palavra descodificada oferece uma sensação de descoberta e gratificação que tornam os vários processos do título bastante viciantes. Pode não ser uma história tradicional de detetives, mas funciona melhor do que muitos títulos que enveredam por esse caminho.

6. Bloodstained: Ritual of the Night - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Pode não ter a arte pixelizada dos clássicos que cimentaram as pedras basilares do género, mas Bloodstained: Ritual of the Night é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores metroidvania dos últimos anos. Saído da mente de Koji Igarashi, o responsável pelas mais bem sucedidas obras da série Castlevania, este esforço financiado através do Kickstarter é executado com a mestria de quem percebe por completo tudo o que é preciso para construir uma obra de excelência deste género.

“Um casamento ideal entre o tradicional e o moderno”, Bloodstained cresce, como qualquer metroidvania digno desse nome, em conjunto com o jogador, adicionando novas camadas à medida que este vai começando a dominar as anteriores e o seu nível de habilidade e conhecimento aumenta. É dessa forma que se mantém fresco durante largas horas, ao evitar a monotonia com uma sensação constante de desafio e progressão. Tal como outros jogos nesta lista, é uma experiência difícil de largar, mesmo após a história ser terminada.

5. Wargroove - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

Um daqueles jogos nos quais teria de bom grado colocado muitas mais horas do que aquelas que o tempo e outras responsabilidades me permitiram, Wargroove é mais uma experiência inspirada de forma clara num clássico do passado e que evolui com sucesso a fórmula em que se baseia. Tenho percebido, ao longo dos últimos anos, que jogos de estratégia, sobretudo com combate assente em turnos, quando realizados com qualidade e sem abusarem no bombardeamento imediato de imensa informação a ter em conta, conseguem facilmente agarrar a minha atenção.

Apenas lamento que as batalhas de Wargroove se arrastem frequentemente para lá de uma duração recomendável, pois é bastante frustrante ter de recomeçar uma batalha após uma tentativa falhada na qual pusemos 10, 15, 20 ou até mais de 30 minutos. De resto, a profundidade do sistema de batalha, o ritmo a que a campanha introduz novos elementos, a quantidade imensa de conteúdo disponível e o charme e personalidade inerentes às suas personagens, tudo contribui para entregar um título que se torna muito viciante, muito rapidamente.

4. The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III - Classificação VideoGamer Portugal: 8/10

A última obra a ser analisada pelo VideoGamer Portugal neste ano civil, Trails of Cold Steel III é também, por larga margem, o jogo no qual depositei mais horas em 2019. Mais de uma centena, para ser mais preciso. E foi tempo muito bem passado. Numa altura em que estava inundado de trabalho, terminar o dia com mais umas horas deste muito bom RPG nipónico foi sempre uma forma bastante eficaz de descomprimir.

Mesmo sem impressionar no plano técnico e sem trazer grandes novidades à jogabilidade em relação aos dois capítulos anteriores, o facto de estar já completamente investido no seu arco narrativo e nas suas memoráveis personagens fez com que passar mais uma longa jornada junto deles fosse uma proposta bastante apetecível. Mais uma vez, as personagens, as suas relações e o seu crescimento moldado pelos acontecimentos que têm lugar em seu redor são os pontos de maior destaque de um título que conta com uma narrativa repleta de mistério, voltas e reviravoltas.

3. Dragon Quest Builders 2 - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

O original cativou-me de uma forma que não estava à espera, tendo em conta o meu pouco interesse em obras do género de Minecraft, com foco na recolha de recursos para posteriores construções. Dito isto, a verdade é que fiquei rendido a esta fusão de elementos RPG e do universo Dragon Quest na fórmula popularizada pelo jogo da Mojang. Dragon Quest Builders 2 é mais daquilo que tornou o primeiro tão bom, mas mais expansivo e com mais opções para darmos asas à nossa imaginação.

Graças à sua estrutura assente em objetivos concretos que introduzem lentamente o jogador a novas possibilidades que este pode depois aplicar na sua própria ilha privada, o jogador nunca se sente perdido ou desmotivado. Basta uma visita pelos muitos mundos criados por outros jogadores para se perceber que a obra da Square Enix permite a produção de paisagens lindíssimas e recriações absolutamente impressionantes de cenários provenientes de outras obras de entretenimento.

Há algo de incrivelmente recompensador em transformar um ambiente desértico numa floresta verdejante, em moldar o território rochoso para formar um extenso rio, em construir um edifício seguindo meticulosamente uma planificação detalhada e pré-definida. No fundo, Dragon Quest Builders 2 é uma experiência incrivelmente viciante e na qual teria também colocado muitas mais horas, se tal fosse possível.

2. Sekiro: Shadows Die Twice - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

Ninguém ficará surpreendido por ver a nova propriedade intelectual da From Software figurar em múltiplas listas de final de ano, no entanto, eu não estava à espera que tal acontecesse. Não joguei nenhum dos títulos da saga Soulsborne, nem tenho grande experiência com obras que seguem a mesma fórmula - apenas joguei Nioh e Salt & Sanctuary -, mas acima de tudo não morro de amores por obras que fazem o jogador esbarrar contra paredes de forma frequente.

Ainda assim, chegamos ao final do ano e aqui está Sekiro: Shadows Die Twice na segunda posição desta listagem, sendo que, não fosse a minha preferência por Role Playing Games, poderia perfeitamente estar no topo. A verdade é que mesmo tendo-me destruído por inúmeras ocasiões - estive horas para superar a batalha com Genichiro no topo do castelo de Ashina -, a vontade para continuar a jogar nunca desapareceu. Sim, houve algumas pausas para acalmar, mas nunca demorou muito até que o desejo de voltar a tentar reaparecesse.

Para a memória ficará sempre a batalha com o Guardian Ape, um confronto de duas fases que, após superado, me deixou incrivelmente orgulhoso de mim próprio, especialmente porque foi das poucas batalhas em que não me socorri de táticas menos respeitáveis para vencer. Sim, a dada altura recorri aos guias online para melhorar a minha performance, mas isso não perturbou em nada o meu apreço pela obra. Afinal de contas, continuou sempre a ser preciso encontrar a estratégia que melhor resultava para o meu nível de habilidade.

1. Fire Emblem: Three Houses - Classificação VideoGamer Portugal: 9/10

As batalhas de estratégia por turnos que já confessei adorar num RPG com inúmeros elementos inspirados na série Persona? Sim, Fire Emblem: Three Houses é o meu Jogo do Ano de 2019, desfecho que ficou praticamente definido assim que o acabei de jogar e a minha primeira reação foi querer recomeçar a campanha e explorar os caminhos narrativos dos quais me afastei através das decisões tomadas durante a primeira passagem.

É verdade que a obra carece um pouco da exigência que pautou as entradas anteriores da série, mas isso não impede que o seu sistema de batalha se mantenha excelente e altamente recompensador. Ao contrário do que acontece em Wargroove, por exemplo, aqui a reta da meta é quase sempre visível, isto é, é relativamente fácil perceber o que temos de fazer para sermos bem sucedidos e o quão perto de conseguir esse objetivo estamos em qualquer momento dos confrontos.

Dito isto, estaria a mentir se não dissesse que é muito graças à sua história e, sobretudo, ao seu excelente elenco de personagens que Three Houses resulta tão bem. A fação Black Eagles e os seus elementos - Edelgard, Dorothea, Bernadetta e companhia - continuam bem presentes na minha memória e acompanhar o desenvolvimento das suas relações serviu como uma muito eficaz motivação para fazer umas batalhas extra na esperança de elevar as suas afinidades para desbloquear novas cenas de conversa entre eles.

Fire Emblem: Three Houses foi o meu primeiro Fire Emblem e, com base nesta amostra, dificilmente será o único. Para além disso, foi também o primeiro jogo que validou verdadeiramente a minha aquisição de uma Nintendo Switch. Sem dúvida, uma das melhores experiências que tive na atual geração de consolas.

Continuem a conversa nos fóruns VideoGamer!