O tão aguardado conteúdo adicional de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, “The Master Trials”, já chegou para os jogadores terem ainda mais motivos para continuarem embrenhados na experiência que a Nintendo tem para oferecer. O cerne do conteúdo está em dois novos desafios: Master Mode e Trial of the Sword. O primeiro oferece uma experiência mais exigente e traz à superfície as técnicas mais eficazes para sobreviver numa Hyrule ainda mais árdua que a original. Já Trials of the Sword leva The Legend of Zelda às suas origens, às suas raízes roguelike. Este último ponto será o objeto de análise deste artigo, visto ser algo que revela a excelência dos dungeons de Zelda.

Em Breath of the Wild não há as habituais masmorras, há um mundo aberto a inúmeras possibilidades. Um mundo onde uma narrativa já está previamente traçada, mas somos nós os diretores deste jogo, somos nós que tomamos as decisões chave para progredir. A minha jornada começou por conhecer os habitantes de Zora’s Domain, a correspondente Divine Beast Vah Ruta e ficar absorto com o positivismo de Sidon. Poderia muito bem ter ido por outro local, por um outro destino que não este. Era bem possível ter-me aventurado diretamente para o Castelo de Hyrule, sem os poderes dos Campeões de Hyrule, sem ter levantado o véu da história comovente à espera de ser descoberta.

Imagens Artigo Trial of the Sword

Os ditos dungeons, o espaços onde os produtores têm as ferramentas necessárias para moldar a experiência do jogador com quase nenhuma distracção. Estes foram substituídos pelos Shrines, os templos sagrados que encerram em si grandes desafios para Link. E se os ultrapassarmos somos contemplados com a evolução do nosso herói, seja pela via da energia ou com mais um coração para aumentar a nossa vida. A escolha é nossa e sempre o foi. E com Trial of the Sword, continuará a sê-la. 

Imagens Artigo Trial of the Sword

Ficaram obcecados em concluir todas os Shrines existentes? Então é praticamente certo que ouviram falar da prova, caso não a tenham realizado, de Stranded on Eventide - o melhor desafio do jogo. Aqui voltamos ao básico e é-nos retirado tudo o que faz de Link ainda mais poderoso do que já é, sem roupas e sem armas. Estamos reduzidos às mecânicas mais simples do jogo. Temos de voltar a pensar como alguém que quer sobreviver, sobretudo por lá se encontrar um enorme Hinox. Trial of the Sword quer frisar exatamente esta mesma sensação de estarmos à mercê das nossas capacidades de sobrevivência em quarenta e cinco níveis diferentes.

Trial of the Sword pede-vos para regressarem à Korok Forest e colocarem a Master Sword de onde a retiraram para aceder ao desafio deste DLC. Como é fácil perceber, Trial of the Sword está ligado à Master Sword, a mítica espada de Link. Depois de inserirem a espada em frente à Great Deku Tree - a árvore criadora e guardiã dos Kokiri - são transportados para o desafio. Começam tal e qual como iniciaram Stranded on Eventide, com o mínimo de roupa possível, sem armas ou escudos. O objetivo é simples, eliminar todos os inimigos de cada piso para passar ao seguinte. Mas cumprir esta tarefa, aparentemente simples, requer perícia, entender bem a utilidade das runes da nossa Sheika Slate. 

Imagens Artigo Trial of the Sword

Lá ia eu, piso após piso, a tentar não sucumbir à minha vontade de rápido e eficiente. E pensei, num determinado momento: “E se isto fosse aleatório? Poderíamos ter aqui um autêntico Binding of Isaac AAA”. Combinando aleatoriedade dos vários elementos que constituem os diferentes pisos, era possível ter aqui uma experiência única, um “Binding of Link”. Um modo em separado onde poderia estender infinitamente a longevidade da obra de Eiji Aonuma.

Se a equipa que está responsabilizada pelo futuro de Breath of the Wild não tem ideias para novos conteúdos, ir para além do que foi alcançado em Trial of the Sword, mas ter em conta esta estrutura como base, seria possível conceber uma experiência bastante interessante. Imitar a estrutura e mecânicas que definem títulos como Binding of Isaac ou Enter the Gungeon só iria favorecer Breath of the Wild. Nomeadamente, se a Nintendo não tivesse regras tão rígidas na gravação, transmissão e partilha de conteúdos audiovisuais de licenças que lhes pertencem. Principalmente em canais tão populares como o Twitch ou YouTube, onde existem grandes audiências para o entretenimento que é criado por quem se dedica a fazer trabalhos como Northernlion. 

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