por - Jun 1, 2018

Ultrapassar os limites do free-to-play em Pokémon Quest

Uma das grandes surpresas desta semana foi Pokémon Quest. Mal soube que este título tinha ficado disponível na Nintendo eShop, fui descarregá-lo imediatamente. Estava curioso para conhecer todas as suas características e, sobretudo, que tipo de experiência é que este iria entregar. Posso afirmar que é um bom jogo e o facto de ser gratuito não lhe retira qualquer mérito. 

Contudo, o facto de ser um jogo free-to-play na Nintendo Switch, uma consola com títulos de comercialização tradicional, ou seja, com jogos que se podem jogar depois de pagar uma determinada quantia, torna o título um pouco estranho no que diz respeito à gestão das nossas sessões de jogo. Caso não o saibam, depois de o jogarem um certo tempo, temos de recarregar, literalmente, as nossas baterias. Porém, até que o façam, ainda vão ter muito que jogar. Quando chegarmos ao ponto em que fazer grinding é inevitável, teremos de esperar para que as nossas baterias fiquem novamente cheias, exceto se tivermos uma boa quantidade de PM tickets. 

A loja digital da Nintendo só vos concede alguns pacotes de conteúdos, mas não é possível comprar tempo de jogo, o que significa que ou têm 25 PM tickets convosco, ou terão de esperar. Por isso, o melhor é perceber a estrutura do jogo e, a partir daí, gastar de forma inteligente os vossos créditos do jogo para não terem de pousar a Nintendo Switch à espera que possam retomar a partida. 

Eu não fui propriamente poupado, comprei algumas decorações que me davam um incremento nos itens recebidos após cada expedição e gastei mais alguns PM tickets para obter mais espaço para guardar power stones. Não me arrependi do que eu fiz, mas podia ter evitado gastar, sobretudo na taxa para recuperar os itens que amealhei quando os meus Pokémon ficaram esgotados depois de terem sido derrotados por oponentes que não imaginava serem tão fortes. 

Podem e devem ver a lista das “quest” disponíveis, para organizar a melhor forma de as completar e dessa forma receberem o prémio associado à conclusão de cada uma delas. A grande parte delas tem uma certa quantia de créditos como recompensa, pelo que à medida que as terminam vão acumulando cada vez mais PM tickets. A cada cinco expedições têm de recarregar a bateria, o que se traduz em cerca de cinco PM tickets por cada expedição, visto que têm de trocar vinte e cinco destes créditos para a bateria ficar novamente cheia. 

Desta forma vão adiando o inevitável: ter que esperar um determinado tempo para restabelecer um quinto da bateria. Ainda assim, para avançar serão necessárias algumas sessões de grinding, pelo simples facto de que terão de evoluir os Pokémon para estes terem força e resiliência suficiente para atacar e aguentar com os danos dos oponentes que encontram. Perder uma expedição equivale a desperdiçar uma unidade de bateria, por isso é que para avançar é preciso primeiro recuar – ou seja a definição mais comum de grinding

Dito isto, esta atividade não é má de todo, até porque precisamos que o conteúdo da nossa panela coza para a refeição ficar completa e atrair novos residentes Pokémon para a nossa base. Perder uma expedição significa igualmente perder uma oportunidade de aumentar para um ponto o nível de cozedura e é por isso que é melhor jogar pelo seguro do que querer avançar sem precaução. Construir uma boa equipa para derrotar um determinado tipo de inimigo é a chave para avançar.

Uma vez chegado ao inevitável, uma altura em que a bateria está a zero assim como a nossa conta bancária de PM tickets, temos de esperar para a bateria recarregar. E é aí que acho que a Nintendo Switch perde em relação à versão Android e iOS, que ainda está por ser disponibilizada. Uma vez o jogo desligado, só podemos ter a certeza de que voltamos a ter a bateria cheia se cronometrarmos o tempo que é necessário, não temos notificações que nos avisam de tal. Neste ponto, um telemóvel vai ter vantagem em relação à versão  Switch, porque não termos de estar sempre atentos a este detalhe é um fator importante. 

Na pior das hipóteses – e espero sinceramente que isto nunca venha a acontecer – a Nintendo Switch poderia receber uma atualização que permitisse receber notificações como os avisos que recebemos quando um amigo fica online ou um jogo foi descarregado. Contudo, isto iria atrair muitos outros produtores que estão no mercado Android e iOS, bem como eliminar a diferença que existe entre a consola de Quioto e um tablet. Nem quero sequer imaginar que isso possa vir a acontecer.

Pokémon Quest é o que vejo ser o primeiro dos títulos da série a chegar à Nintendo Switch para fazer a ponte entre os jogadores que têm a consola e quem joga Pokémon GO. Assim, há um interesse que se despertará para jogar Pokémon Let's Go! Pikachu e a outra versão com Eevee. Ainda assim, tudo isto é uma manobra para atrair os jogadores para uma experiência RPG mais tradicional em 2019, mas enquanto esta não chega têm aqui um bom jogo para ocupar o tempo até à sua chegada.
 

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