Por esta altura já devem saber que Resident Evil 7 não é um mau jogo, como tive oportunidade de escrever na minha análise à obra da Capcom. Contudo, não é preciso que um videojogo seja perfeito para ter interesse, não é preciso que seja uma obra-prima para ser aliciante. Resident Evil 7 é um bom jogo, apesar das suas falhas, apesar de ter uma primeira parte bastante superior à recta final.
Depois de terminado o jogo, é fácil ter algo a dizer sobre o seu desfecho. Se ainda não viram os créditos finais, então devem parar de ler este texto neste preciso momento. Após a próxima imagem vou escrever abertamente sobre o arco narrativo e a sua conclusão, ou seja, haverá spoilers que estragarão por completo a surpresa a todos os interessados em descobrir a história de Ethan, Mia e da família Baker.
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A viagem por Resident Evil 7 começa de forma excelente. O jogador sente pela espinha abaixo o início do que pensa ser uma estadia num cenário onde a razão há muito que foi relegada para plano terciário. Vamos defrontando vários elementos da família Baker, todos capazes de atrocidades quase inclassificáveis. A Capcom proporciona um espetáculo de terror e violência, com Ethan a perder a mão esquerda ainda nas primeiras horas da aventura.
Mia, a sua mulher, está possuída, alternando entre a personalidade que o fez apaixonar por ela com um comportamento que só tem como objetivo matá-lo. São momentos de tensão com uma composição de mestre: a forma como Mia entra e sai de cena coloca qualquer um na beira do sofá, fazendo-nos saltar várias vezes. As primeiras horas de Resident Evil 7 são as melhores horas do jogo, e isso tem tanto de fascinante como de frustrante.
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Não é que a parte final do jogo seja má, mas é a pior parte do jogo. Quando estamos a caminho do barco abandonado temos que escolher: ou salvamos Mia, ou salvamos Zoe. Esta decisão está obviamente ligada ao final que nos calhará em sorte algumas horas depois. Contudo, esta decisão acaba por ser o momento em que o jogo parte, enveredando por uma estadia mais calma daqui para a frente. Não é um festival de sono, mas sim muito mais virado para a exploração do navio - jogando como Mia à procura de Ethan.
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É provável que, tal como eu, tenham escolhido salvar Mia, o amor da vida do protagonista. Infelizmente, salvá-la colocará em cena o final menos conseguido. Tal com saberão, o confronto final é com Eveline, na sua forma que não pode ser contida dentro do cenário inicial do jogo. O meu problema com este boss é que é inferior aos restantes, ou seja, senti-me muito mais investido nos confrontos com Jack, Marguerite e Lucas. Lutar contra a forma final de Eveline, não parece que estejamos a minutos de ver os créditos finais e certamente a Albert não ajuda. Caso optem por curar Mia, convém não esquecer que ela acaba por ter que lutar contra Eveline - como podemos ver brevemente pela porta que é encerrada na nossa cara. Ou seja, vê-la deitada no helicóptero ao nosso lado no final deixou-me irritado. É o final “bom”, claro, mas não é preciso que tudo seja salvo, que tudo corra bem, que aquela noite - Resident Evil 7 decorre ao longo de uma noite no Louisiana - não tenha consequências graves na relação entre o casal.
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E importa ainda mencionar que se for Mia a ser salva, ficamos sem saber o que verdadeiramente aconteceu a Zoe. Curiosamente, a Capcom denota um sentido de humor muito peculiar: se optarmos por salvar Zoe e a levarmos no barco, aquela morte minutos depois é uma execução que tira o tapete debaixo dos pés dos jogadores. Mas, se for este o vosso caminho, ao menos têm oportunidade de cravar um pé de cabra na Mia, dando mais textura ao final sem ela ao vosso lado na cena final. Não, Resident Evil não tem que acabar com um grande arco-íris.
Mesmo a secção nas minas de sal deixa a desejar quando comparada com a excelência do design visual e sonoro da mansão. Todavia, gosto bastante da forma como a Capcom revelou que era afinal Eveline que controlava Mia e que estava presente quando ela vos atacou, que era Eveline que controlava os Baker. Não tanto pela reviravolta, mas como o jogo se despede do jogador, levando-o quase pela mão pelos cenários onde foi mais (in)feliz.
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Podemos alegar que o jogador não aguentava o ritmo do arranque durante dez horas, mas convém não esquecer que mesmo na mansão há momentos mais tranquilos, em que pude recompor o fôlego. O problema é o tom desenxabido, que torna-se ainda mais evidente pela já mencionada excelência do arranque. É quase como se o jogo tivesse dez ou doze horas para preencher e fica-se sem ideias após cinco, ou melhor, sem ideias daquele calibre.
Sinceramente, quando o controlo passou para Mia, com Ethan a estar preso no fundo do barco, cheguei a pensar que era Mia que se ia curar, que era Mia que afinal era a heroína e que Ethan seria o boss final numa forma tão insana como a de Marguerite - que me provocou um dos maiores saltos durante a minha estadia. Seja como for, depois destes horrores, salva-se a explicação que Mia, afinal, mentiu claramente ao seu marido - ou melhor, “ocultou” a verdade.
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Importa mencionar que o barco está partido em várias partes, pelo que a explicação que Mia trabalhava para uma organização que lidava com armas biológicas, que era naquele barco que era transportada uma criação especial, Eveline, e que foi no seu transporte que o barco encalhou quando ela se tornou demasiado forte, acabam por evitar que o argumento seja apenas um cliché.
Finalmente, importa deixar algumas palavras sobre quem chega no helicóptero e remove o capacete. É estranho ver Chris Redfield a bordo de um veículo com o logo da Umbrella Corporation. Aliás, acaba por ser o maior mistério que o jogo deixa por responder, algo que espero ver sanado no DLC “Not a Hero”, que chegará algures na próxima primavera. Se terminaram o jogo, sabem que o anúncio do DLC no final tem a imagem de Redfield. O tease é bom, agora resta saber se a Capcom consegue justificá-lo de forma coerente, justa e satisfatória. A forma como a câmara faz questão de focar o logo não deixa dúvidas que a Capcom fez questão que todos o víssemos. Espero, sinceramente, que a justificação não seja “afinal, não era o Chris”, pois é verdade que ele se apresenta apenas pelo seu apelido - ainda que os créditos finais afirmem que é, de facto, Chris Redfield.
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É pena que o final seja então a parte menor do jogo. Não que seja um desastre, mas porque a Capcom não consegue manter a excelência das primeiras horas. Ainda assim, caso não tenham percebido, gostei bastante do jogo, tal como comprova a classificação atribuída. Com a produtora disposta a correr um risco que correu muito bem, estou muito curioso para jogar o futuro da série, pois ficou claramente provado que foi descoberto o caminho a seguir.

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