A Nintendo sabe o que está a fazer. Rimo-nos da DS porque o mercado das portáteis estava morto. Gozámos com a Nintendo Wii porque ninguém queria ter aquela consola, obviamente. Neste momento, em algum sítio, alguém está a dizer uma piada sobre a Wii U, esquecendo-se o seu provável, ainda que inexplicável, sucesso que dará à Nintendo dinheiro suficiente para comprar o sol. É esta lógica que resume A Link To The Past 2. Não tenho reservas em dizer que venero o jogo original como uma das mais incríveis experiências jogáveis que já tive. É provável que se tiverem idade para isso, também se sintam da mesma maneira. A Nintendo sabe disso. Aliás, está ativamente à procura de explorar essa emoção novamente.

Desde o seu anúncio ontem, estão perdoados se não souberem qual é o caminho que esta sequela espiritual vai ter. Viram um vídeo do qual provavelmente perderam a maior parte porque estavam a dar atenção ao irmão do canalizador mais popular do mundo. Longe de ser estranha, foi uma reação replicada por todo o mundo. Todos reconhecemos aqueles cenários e inimigos distintos do clássico SNES e deixamos a nostalgia tomar conta de nós. Não se sintam envergonhados. Eu sou um desses indivíduos e não me sinto menos entusiasmado depois de o ter jogado do que há 24 horas atrás. Contudo, a situação é um pouco mais complicada.

Aceder a uma "dungeon" em A Link To The Past 2 sublinha o facto de estarmos perante algo muito mais similar ao jogo original do que era aparente. Aliás, em vários aspetos é idêntico. Qualquer um familiarizado com aquele que é por uma larga falange de fãs considerado o melhor jogo da série, estará a par dos bizarros alicerces do jogo, tais como martelar estranhos blocos para abrir um caminho, usar interruptores para alterar a dinâmica de um nível e atacar gigantes criaturas parecidas com uma cobra na cauda. Estes são elementos que certamente poderiam estar relacionados com a série como um todo, mas aqui parecem copiados e colados. Alguém apenas curioso pode facilmente pensar que está a jogar um remake.

É aqui que a inteligência da Nintendo entra em jogo. Em relação a Link To The Past 2 é natural que se enquadrem em duas categorias. Ou estão entusiasmados a um ponto em que qualquer coisa baseada naquele mundo é suficiente, ou então conhecem o jogo anterior devido ao seu legado.

Não é como se os criadores de Zelda tenham descansado à sombra do sucesso. Visualmente, este é um dos jogos 3DS mais interessantes que verão. Os pequenos detalhes - como por exemplo a cara da cobra mencionada quando lhe acertam com a espada na cauda - relembram porque é que se apaixonaram pela Nintendo. A música, um aspeto constantemente esquecido, é tão boa quanto o desejavam, encharcando o nosso cérebro com a nostalgia dos temas de 1991. Existe ainda a mecânica "fundir", tornando o Link uno com qualquer parede que toque. Apesar de não haver uma explicação para o fenómeno, é extremamente simples em teoria e surpreendentemente eficaz a criar puzzles desafiantes. Quase que me senti envergonhado em frente aos meus colegas quando tive que parar de jogar para perceber o que estava e não estava a ver.

A Link To The Past 2 é outra razão pela qual a Nintendo 3DS tem, possivelmente, o melhor alinhamento de jogos este ano e é difícil de imaginar outra produtora a arriscar uma sequela a um jogo tão querido tanto tempo depois do seu lançamento. Contudo, se esta amostra da experiência é indicadora de algo, os resultados podem ser mais reconhecíveis do que estávamos à espera. Certamente não é algo mau, mas a possibilidade deste jogo atingir a importância do seu antecessor parece agora mais escassa do que anteriormente. Por fim, se na semana passada alguém te oferecesse A Link To The Past 2 o que é que tinhas feito?

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