por - Dec 9, 2013

Espiões da NSA e CIA fazem-se passar por jogadores

Segundo as mais recentes informações expostas por Edward Snowden, mediático ex-funcionário da NSA, uma extensa lista de videojogos, serviços e ambientes virtuais onde figuram nomes como Xbox LIVE, World of Warcraft, ou Second Life foi alvo de várias operações de espionagem levadas a cabo por organismos de segurança, tanto americanos como britânicos.

Os documentos analisados pelas publicações The New York Times, The Guardian e ProPublica não deixam dúvidas quanto às intenções da NSA, CIA e GCHQ (Government Communications Headquarters), cujo móbil esteve na sua maior parte relacionado com o facto de estes serviços de entretenimento poderem oferecer um vasto leque de ferramentas propícias a serem utilizadas como forma de dissuasão por parte de indivíduos mal intencionados.

“Os espiões criaram personagens credíveis para ‘bisbilhotar’ e tentar recrutar informadores, além de recolherem dados e conteúdos de comunicação entre os jogadores. Devido às caraterísticas associadas a este tipo de videojogos – utilização de identidades falsas, conversações de voz e texto, formas de efetuar transações financeiras – as agências de inteligência mostraram-se preocupadas com possíveis operações levadas a cabo por redes terroristas” – pode ler-se na análise aos documentos, tornados públicos recentemente.

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Ainda que por agora a forma como estes agentes atuaram seja muito dúbia, já começaram a surgir os primeiros problemas relacionados com a privacidade dos jogadores que usufruem de serviços como o Xbox LIVE, ou de jogos como World of Warcraft e Second Life. O protagonismo destas dúvidas assenta no desconhecimento da forma como ao longo dos últimos anos foi feito o acesso aos dados e comunicações de cada um dos jogadores ou ao número exato de pessoas monitorizadas. Sobre este assunto, um responsável da Blizzard Entertainment, produtora de World of Warcraft, já fez saber que a empresa “não foi alertada para a realização de qualquer tipo de vigilância. Se ela ocorreu, foi levada a cabo sem o nosso conhecimento ou permissão”. Representantes da Microsoft e do Second Life recusaram-se a prestar delcaraões sobre esta matéria.

Independentemente da importância atribuída por tais agências internacionais, as crenças relativas à presença de largos grupos com intenções pejorativas acabaram por revelar-se infundadas, segundo os documentos a que as fontes do VideoGamer Portugal tiveram acesso. Ao contrário daquilo que tinha sido encarado como o objetivo principal, não ocorreu qualquer desmantelemento de redes terroristas efetuado a partir de dados recolhidos por estes agentes. Segundo Peter W. Singer, autor do livro “Cybersecurity and Cyberwar: What Everyone Needs to Know”, a explicação é simples – existem formas mais eficientes e simples de manter determinadas comunicações no secretismo e o processo não passa pela escolha de um avatar falso.

Estes ficheiros juntam-se assim à já extensa lista de mais de 200 mil documentos expostos por Edward Snowden, agora exilado na Rússia, sendo, no entanto, os primeiros a terem uma ligação direta com a indústria dos videojogos.

Fontes: The New York Times, The Guardian, TIME

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