por - Jan 15, 2015

Expedição a uma Antártida à la Minecraft

Desde a altura em que Minecraft foi originalmente lançado no PC durante o ano de 2009, que se têm multiplicado os desenvolvimentos de mapas virtuais que primam pela forma como tentam recriar vastas regiões do mundo real através das ferramentas disponibilizadas pela Mojang no seu jogo de ação e aventura em mundo aberto.

Baseando-se nos exemplos de recriações como as do condado de Manhattan, do Reino Unido, ou até mesmo da Dinamarca, Martin O’Leary – um glaciologista da Universidade de Swansea – optou por experimentar algo mais arrojado e recriar por completo todo o contintente gelado da Antártida.

O mapa, que se baseia numa escala de um para mil e inclui mais de três biliões de blocos, convida os jogadores a começarem a sua jornada no Rothera Point, na ilha Adelaide, que serve de base de exploração para um das principais expedições inglesas naquele local. A partir daí, o limite só residirá na capacidade do jogador de continuar a descobrir novos locais, reconstituídos de forma fidedigna para incluir algumas localizações de cortar a respiração, à semelhança do que acontece no mundo real.

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Recorrendo à linguagem de programação Pyhton para combinar as ferramentas disponibilizadas pelo editor de mapas Minecraft pymclevel com a informação fornecida pela Open Source Geospatial Foundation e ainda com os dados recolhidos durante um projecto da British Antarctic Survey, O’Leary conseguiu compilar a informação topográfica do continente.

Ao contrário daquilo que muitos poderão pensar, o processo foi-se dando de forma automática, não envolvendo a construção manual de todo o terreno. “O meu principal problema esteve relacionado com o tamanho”, explica o autor. “A minha primeira tentativa passou por integrar todo o mapa na memória de uma só vez, o que acabou por ser demasiado para o meu pequeno MacBook. Depois de ter resolvido esse erro, foi tudo um mar de rosas. Deixei o processo a correr e fui para a cama – na manhã seguinte estava concluído e pude começar a explorar o resultado final.”

Rendido às portas que um jogo como o da Mojang pode abrir na sua área, o responsável pelo trabalho adiantou a revista Wired o seguinte: “Grande parte do meu trabalho profissional é baseado em modelos numéricos relacionados com gelo, o que na maioria das vezes me leva a ter que lidar com grelhas que se parecem em muito com o mundo de Minecraft.”

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“Esse trabalho transforma-se em algo abstracto e distante da realidade muito facilmente, por isso estou sempre à procura de novas formas de tornar as coisas mais concretas – de as relacionar com a sua forma real” – adiantou ainda, comparando os elementos do jogo de aventura com os seus pares do mundo real. “Gelo representa gelo, água representa água, pedra representa pedra”.

A conjugação dos elementos a partir dos dados recolhidos possibilitou a construção de alguns locais que O’Leary confessa serem verdadeiramente dignos de uma pausa durante a jornada de exploração em Minecraft. “Gosto muito do glaciar de Beardmore, é um dos maiores vales glaciares do mundo e foi uma das vias que Shackleton e Scott usaram para atravessar os Montes Transantárticos na sua jornada para o Pólo Sul. Quando estão no meio da passagem conseguem ter uma perceção da escala da sua expedição”.

“Também gosto muito do Monte Erebus, na ilha Ross”, adianta ainda. “É um vulcão ativo que tem um lago de lava e eleva-se a cerca de 4000 metros sobre o Ross Ice Shelf, que é uma plataforma de gelo quase totalmente flutuante, aproximadamente do tamanho de França. Podes ficar lá e não ver nada além de gelo plano até ao horizonte.”

Se também forem jogadores de Minecraft e estiverem interessados em experimentar vocês mesmos o trabalho de O’Leary, podem recorrer a este site para descarregar o ficheiro que contém a representação virtual do grande continente gelado.

Referências: WIRED.co.uk

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