Pedro Martins por - Sep 13, 2019

Patrão da Nicalis responde às acusações de racismo, discriminação e comportamentos controladores

Tyrone Rodriguez, fundador da produtora e editora Nicalis, respondeu às acusações de exploração de funcionários, de fuga aos compromissos e de racismo na empresa.

Esta semana, o Kotaku falou com quatro criadores externos e sete ex-funcionários da Nicalis que contaram várias situações de ações exploratórias, falta de profissionalismo e linguagem abusiva durante o tempo que trabalharam com Rodriguez.

Audrey Leprince, co-fundadora da The Game Bakers, disse que o estúdio queria trabalhar com a Nicalis para adaptar Furi às consolas, mas que encontrou alguma resistência. “Enviámos o projetos, eles avaliaram o custo, enviaram um primeiro esboço com o contrato que devolvemos com mudanças. Mas depois começaram a ignorar-nos,” comentou.

“Não responderam aos emails, às chamadas via Skype. Esperámos três semanas, tentamos contactá-los várias vezes… Finalmente responderam com um pedido de desculpas e disseram que iriam enviar um email na semana seguinte. O tempo passou. Íamos à E3 (eles estavam lá), oferecemo-nos para os ver lá. Relembrando-os de como agir rapidamente era importante. Então eventualmente enviamos uma mensagem a dizer que o acordo tinha sido cancelado tendo em consideração a quebra na comunicação”.

Este não é o único exemplo da Nicalis deixar os criadores sem resposta. Um ex-funcionário da empresa explicou ao Kotaku que Rodriguez dava prioridade aos projetos arbitrariamente. “A Nicalis tem uma história de aceitar mais projetos de desenvolvimento do que aqueles para os quais tem tempo. Penso que isto está relacionado com favorecimento e com misturar as prioridades de desenvolvimento de forma imprevisível. No que ao desenvolvimento diz respeito, dão sempre prioridade aos seus jogos de especialidade como Binding of Isaac e Cave Story em detrimento das adaptações dos outros criadores”.

O ambiente de trabalho na Nicalis foi descrito como “controlador e exploratório”, com Rodriguez a alegadamente pressionar o staff a beber em demasia, fazer comentários racistas e discriminatórios para as pessoas com deficiências, assim como em castigar aqueles que não participavam em atividades sociais.

O Kotaku teve acesso a vários registos no Skype onde Rodriguez usa uma linguagem abusiva enquanto comunica com os seus funcionários. Além disso, um ex-funcionário da Nicalis disse que sofreu vários comentários sobre o seu peso feito pelo dono da Nicalis.

Durante uma viagem de negócios ao Japão, ele foi pressionado a fazer caminhadas, ao ponto de ter ficado com as partes interiores das coxas a sangrar. Tyrone Rodriguez e o seu irmão, o CEO da Nicalis Victor Rodriguez, pediram-lhe que fosse visitar um monumento com eles, e o ex-funcionário recusou devido a essas lesões.

“O Tyrone começou a dizer coisas como, ‘quem é que pensas que pagou pela tua viagem?’ Ele estava basicamente a forçar-me a ir… eu disse, ‘não, não vou’”, comentou o ex-funcionário. Depois da viagem de negócios, Rodriguez despediu-o. “Quando voltamos do Japão, sinto que talvez tenha sido por isso que se livraram de mim. Porque eu me defendi,” acrescentou.

O Kotaku solicitou entrevistas com o atual staff da Nicalis e um porta-voz respondeu em comunicado que a empresa não iria falar sobre as acusações. “O desenvolvimento e a publicação de jogos é um sonho para o staff das quase 20 pessoas que trabalham na Nicalis, Inc.”

“Parte da nossa equipa tem estado com a empresa há quase uma década e trabalhámos arduamente para criar um ambiente onde tratamos os membros da nossa equipa com respeito,” continua o comunicado.

“Eles são o que fazem a empresa. Não perdoamos ambientes de trabalho abusivos ou discriminatórios e temos pessoas de todos os tipos de vida. Esperamos que a nossa equipa interna e os nossos criadores externos tenham um sucesso contínuo”.

“Sobre as empresas cobertas por um NDA mútuo com a Nicalis, Devolver (editora de Enter the Gungeon) e The Game Bakers (criadores de Furi), apenas podemos comentar que não temos quaisquer acordos de publicação com eles nem nunca tivemos,” é ainda acrescentado pelo porta-voz em comunicado.

Perante estas acusações, porém, hoje Rodriguez respondeu numa mensagem publicada no Twitter. Sobre a linguagem abusiva que usou, disse que era “indefensável e inaceitável”. “Como alguém que experienciou racismo e discriminação na minha vida, devia saber melhor e ser uma pessoa melhor,” disse.

“Se vos magoei – e não tinha noção até agora de que o tinha feito – espero que possam perdoar-me um dia,” é ainda mencionado na mensagem que podem ler já de seguida.

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